Um caminhoneiro de Londrina inutilizou ontem, em Foz do Iguaçu, quase metade das 20 toneladas de tomate que seriam exportadas para a Argentina. O motivo apresentado pelos fiscais argentinos - que recusaram a carga seguindo as novas normas para exames fitossanitários -, foi a qualidade das caixas usadas para o transporte.
O motorista da Valmar Transportadora, Silvano da Silva, 26 anos, estava inconformado na Central de Abastecimento (Ceasa) de Foz, enquanto compradores escolhiam o que restava da carga, que ficou parada durante quatro dias na aduana argentina.
A carga saiu de Londrina na quinta-feira da semana passada e até ontem o responsável tentava manter o produto em boas condições. Porém, mesmo com equipamento de refrigeração os tomates não suportaram a espera e começaram a apodrecer.
‘‘Eles recusaram a carga porque viram a madeira das caixas escurecidas. Isso é comum quando o produto fica muito tempo estocado. É um absurdo o que estão fazendo’’, desabafou Silva, que ainda terá que voltar a Argentina com o caminhão vazio para trazer peixe.
O caminhoneiro disse que gastou mais de 200 litros de óleo diesel para manter a câmara fria ligada.
As novas determinações da Argentina, baixadas há 15 dias, prevêem que os exames laboratoriais sejam feitos somente em Buenos Aires, retardando a liberação em, no mínimo, 72 horas. As normas também impõem avaliações mais rígidas quanto ao acondicionamento da carga.
Com a exportação do tomate invibializada (não suporta mais que três dias entre a colheita e o consumo), os comerciantes da Ceasa em Foz já deixaram de vender ao país vizinho cerca de 800 toneladas. O prejuízo não foi maior porque o produto acabou sendo redirecionado à varejistas da região.
Na última quarta-feira, a Folha registrou em Puerto Iguazú, fronteira com Foz, sete caminhões carregados de tomate e aguardando o resultado dos exames.
O gabinete do ministro Pratini de Moraes está sendo informado sobre o impasse. O coordenador do Serviço de Vigilância Agropecuária de Foz do Iguaçu, Gil Bueno de Magalhães, visitou a aduana argentina esta semana e conversou com o responsável pela fiscalização do Serviço Nacional Sanitário (Senasa), Horácio Liberti. Magalhães levantou números e repassou as informações para a diretora do Departamento Nacional de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Tânia Mendes Dias. ‘‘O relatório geral da situação foi enviado a Brasília.’’

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