As exportações de soja neste ano em relação a 2000 aumentaram 76% no produto em grão e 54% em farelo. As exportações de milho - que não eram feitas desde 1997 - também animam os produtores e devem atingir 1,8 milhão de toneladas em 2001. Esses aumentos foram provocados principalmente pelo clima favorável, pela queda do preço interno do milho e pela procura européia, motivada pelo mal da vaca louca que ataca os rebanhos do velho continente.
Essas são análises feitas pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento e pela Ocepar. A supersafra, que provocou filas no Porto de Paranaguá deve contabilizar 9,5 milhões de t de milho e soja exportadas através do porto, segundo dados da Ocepar.
Para Robson Mafioletti, analista técnico da Ocepar, o Brasil está tomando espaço em mercados que pertenciam aos Estados Unidos. ‘‘Eles vendiam um milho transgênico, de marca Star Link, que produziu alergia e problemas nos consumidores’’, afirmou. A engenheria agrônoma Rossana Bueno de Godoy, da Secretaria da Agricultura, também creditou a esse fato a procura exterior pelo milho brasileiro.
A soja brasileira também entrou no mercado que pertencia aos americanos, como o Japão. ‘‘Isso é muito bom, porque esse país é o maior consumidor, importando 16 milhões de t por ano’’, disse Mafioletti. A soja em grão exportada vai atingir 890 mil t, e o farelo, 880 mil t, de acordo com a Ocepar. Outros mercados também estão preferindo o produto brasileiro para o consumo animal, por causa da preocupação com a contaminação da vaca louca através de ração à base de farinha de osso.
Porém a tendência para esse produto é de queda de preços, informou Otmar Hubner, da Seab. ‘‘Os estoques do mercado internacional estão bem altos.’’ Para a Ocepar, esse risco também é grande. ‘‘O único fator que vai fazer com que os preços se mantenham é uma eventual quebra de safra dos Estados Unidos, que já tem prevista uma área plantada recorde’’, apontou Mafioletti.
No caso do milho, a produção do País era sempre inferior ao volume consumido, o que propiciava aos produtores um bom preço, que atingiu no ano passado cerca de R$ 12,00 a saca (60 kg). Isso motivou a produção, que teve a área plantada brasileira aumentada em 10,5%. No Paraná, de acordo com a Secretaria, o aumento foi de 300 mil ha em relação ao ano passado, atingindo 1,8 milhão de ha. O total de produção paranaense estimado para este ano é de 8,8 milhões de t, contra 5,9 milhões de t da safra passada.
‘‘Mas como a demanda interna não cresceu no mesmo ritmo que a produção, ficou mais interessante exportar’’, disse Mafioletti. O preço que está sendo pago atualmente ao produtor no mercado interno é de R$ 7,20, o preço mínimo garantido pelo governo. Já para exportar, o preço pode atingir R$ 8,20. A tendência, se o preço interno não reagir, é o aumento das exportações, completou o técnico da Ocepar.

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