Aumentam devedores de água e esgoto
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segunda-feira, 14 de outubro de 2002
Vânia Casado<Br>Equipe da Folha 
Curitiba O aumento das contas de água e esgoto durante o Plano Real estão contribuindo para a elevação dos níveis de inadimplência dos consumidores junto à Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). A empresa que havia feito uma previsão de lucro de R$ 207 milhões até o final deste ano, pode não atingir essa meta de arrecadação.
Mesmo assim, a Sanepar deverá apresentar lucro em decorrência da redução com gastos em manutenção da rede de água e esgoto, para atender ao estilo de administração orçamentária implantado na empresa, não levando em consideração o interesse público, avaliou Rasca Rodrigues, presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge).
Conforme levantamento feito pelo Senge junto ao balanço da empresa até o mês de julho deste ano, cerca de 24% das contas de água, em Curitiba, estavam inativas, sendo que 80% desse total foram cortadas por falta de pagamento. Em Londrina, 22% das contas estavam inativas, ou seja foram desligadas definitivamente por falta de pagamento ou por evasão do titular da conta. O presidente do Senge, Rasca Rodrigues, associa a inadimplência elevada ao aumento das contas de água e esgoto durante o Plano Real. Para Rodrigues, as empresas de saneamento se estruturam de forma a garantir lucro para as empresas e seus acionistas e não estão preocupadas que as pessoas não conseguem mais pagar as tarifas praticadas atualmente.
Durante o Plano Real, a conta de água para as tarifas mínimas, que correspondem ao consumo de 10 metros cúbidos, subiu de R$ 4,95 para R$ 22,50 ao mês, enquanto a inflação no período foi de 125%. A tarifa de ligação de água residencial subiu 988% e a tarifa de ligação de esgoto subiu 1.101%.
Para se ter uma idéia do nível de inadimplência, em Curitiba até o mês de julho mais da metade da população estava com contas vencidas há mais de 30 dias. O Senge aponta que em decorrência da inadimplência, a Sanepar estava deixando de faturar, só na Capital, algo correspondente a 55,65% da receita que deveria entrar durante um mês. Entre os grandes clientes da Sanepar, como as grandes empresas, 36,45% estavam com as contas vencidas há mais de 30 dias, até o mês de julho. Desse grupo, 2% dos grandes clientes estavam com suas contas cortadas, informou o presidente do Senge.
A inadimplência na Região Metropolitana de Curitiba em julho somava R$ 3,43 milhões, conforme levantamento do Senge. Na Região Metropolitana Norte, a maior parte da população estava com as contas atrasadas há mais de 30 dias. Rodrigues explica, que como existem consumidores com contas atrasadas por vários meses, a inadimplência total somava R$ 1,13 milhão que correspondia a 107% da receita que a Sanepar deveria arrecadar na região por um mês.
Na Região Metropolitana Sul, a inadimplência era de R$ 2,3 milhões até o mês analisado e somava 67% da receita da empresa, no local, durante um mês. Cerca de 32% das contas foram desligadas porque estavam sem pagamento há mais de seis meses.
Em Londrina, as contas inativas somavam 22%. Na Região Metropolitana de Londrina, a inadimplência devida somava R$ 7,24 milhões até julho. A inadimplência atingia 110,49% da receita que deveria entrar para a Sanepar durante um mês. Ou seja, corresponde ao pagamento de toda a população e mais um pouco. Segundo Rodrigues, existe nível de adimplência, mas o elevado número de contas atrasadas há mais de 30 dias, resultam numa receita elevada que deixa de entrar para os cofres da Sanepar.
A Sanepar não prevê redução do lucro da empresa este ano por conta da legislação aprovada na Assembléia Legislativa, que acaba com a cobrança da tarifa mínima. A empresa não está cumprindo esta lei e o governo do Estado, acionista majoritário, através da Procuradoria Geral do Estado (PGE), deve entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), por acredita que a lei aprovada é inconstitucional.


