Aumentam depósitos em previdência privada
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domingo, 11 de setembro de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 

Em meio à discussão sobre reforma na Previdência Social, os planos previdenciários particulares tiveram alta de 13% no volume de aportes no primeiro semestre em comparação ao mesmo período do ano passado. Levantamento da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), divulgado na semana passada, mostra que a captação chegou a R$ 52 bilhões entre janeiro e junho deste ano, contra R$ 46 bilhões no mesmo período do ano passado.
Ainda de acordo com o balanço da entidade, a captação líquida (diferença entre depósitos e resgates) apresentou saldo positivo de R$ 25,6 bilhões, um aumento de 7,64% entre janeiro e junho deste ano na comparação com o primeiro semestre de 2015. A FenaPrevi representa 70 seguradoras e entidades abertas de previdência complementar no País.
Dos aportes feitos, R$ 47,7 bilhões foram para planos individuais e, deste total, R$ 961 milhões foram depositados em planos para menores de idade. No período, foram contabilizados 12.506.055 pessoas com planos contratados. De janeiro a junho, os planos empresariais tiveram aportes de R$ 4,2 bilhões em nome de 3.068.253 pessoas.
O número de pessoas que já usufruem de benefícios pagos por planos abertos de caráter previdenciário chegou a quase 108 mil pessoas no primeiro semestre.
Para o presidente da FenaPrevi, Edson Franco, os planos de previdência complementar são um importante mecanismo de proteção para quem pretende constituir uma reserva de longo prazo, o que justifica o bom resultado no primeiro semestre apesar do cenário econômico desfavorável.
É justamente a preocupação em constituir um pecúlio que o empresário Rodolfo Carraro, de 34 anos, aderiu a um plano previdenciário em um banco público nacional. Por mês, vai depositar R$ 500 pelos próximos 25 anos. "O valor no futuro será pequeno e a quantia, no fim, também. Mas é uma forma de guardar dinheiro para o futuro e rende melhor que a poupança", afirma.
De acordo com ele, o investimento em previdência complementar era um plano antigo, que começou agora devido às melhores condições financeiras. Apesar de não se atentar para os detalhes, sabe que tem boa liquidez e, se precisar, pode sacar antes de completar o tempo inicial previsto, apesar das perdas que terá.
QUALIDADE DE VIDA
O consultor financeiro Márcio de Araújo afirma que os planos privados de previdência são importantes para manter o padrão de vida após a aposentadoria, já que os benefícios são mais baixos que os salários. "No mercado financeiro, brinca-se que INSS significa isso nunca será seu, por causa dos constantes deficits apresentados", diz.
Ele ainda complementa que os benefícios são pagos com os recolhimentos de quem está na ativa e que, como a taxa de natalidade cai e a de longevidade cresce, o sistema chegará a um limite em que se tornará insustentável no futuro. "A previdência está em decadência e a nossa geração não terá um recebimento mínimo que os aposentados recebem hoje", diz.
Ele orienta a iniciar a contribuição o mais rápido possível, de modo que as parcelas sejam menores e os aportes gerem pagamentos melhores no futuro. "E temos que aproveitar os períodos em que os juros estão mais altos, porque os rendimentos também são melhores."
Em uma simulação, o recolhimento de R$ 500 mensais por um período de 35 anos, a partir dos 30 de idade, geraria, com os juros, um patrimônio estimado em R$ 1,36 milhão. Este valor poderia se tornar resgates mensais de R$ 5,5 mil, caso o contribuinte opte por pagamentos vitalício ou de R$ 7,8 mil, em um limite de 300 saques mensais. "Isso será negociado e o valor depende de quanto você espera sacar, se outros beneficiários forem incluídos etc."
Os sites de instituições financeiras, como bancos e cooperativas de crédito, oferecem simuladores em seus sites.


