Muito utilizado na aquisição de automóveis e motocicletas, o sistema de consórcio tem ganhado espaço nos setores do agronegócio e transportes. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o número de contemplações de consorciados de veículos pesados que inclui tratores, caminhões, implementos agrícolas e rodoviários, somou entre janeiro e junho deste ano 17,1 mil em todo o Brasil, 5,6% a mais em relação ao mesmo período do ano passado.
Em volume de créditos comercializados, foram R$ 3,47 bilhões no acumulado do primeiro semestre, alta de 1,5% sobre o mesmo período de 2013. Já o volume de crédito disponibilizado, entre janeiro e junho de 2014, somou R$ 2,35 bilhões, alta de 6,8% no comparativo ao primeiro semestre do ano passado, quando foram liberados R$ 2,20 bilhões. No setor de veículos no geral (veículos leves, pesados e motocicletas), de janeiro a junho de 2014 foram contemplados 623,6 mil contratos, 11,2% a mais em relação ao mesmo período do ano passado.
Contudo, em relação aos novos consorciados no segmento de veículos de pesado, a Abac registrou nos primeiros seis meses do ano uma retração de 5,2%. Ao todo, de janeiro a junho deste ano foram realizados 22 mil novos contratos. Em junho, o segmento somou 235 mil participantes, alta de 14,9% na comparação com junho de 2013. José Roberto Luppi, presidente regional da Abac no Paraná, explica que o alto número de feriados e a Copa do Mundo influenciaram na queda no número de novos contratos no acumulado do primeiro semestre deste ano. A entidade não possui dados por Estado.
De acordo com informações preliminares da associação, em relação ao mês de agosto, dos bens adquiridos com os créditos disponibilizados nas contemplações, 42,9% foram destinados para implementos agrícolas e rodoviários. Tratores e colheitadeiras representaram respectivamente 23,4% e 19,4%, seguido por cultivadores motorizados com 14,3%. Segundo a entidade, os grupos de consórcios desses produtos variaram de 60 a 150 meses, com média de 140 meses, a uma taxa mensal de administração de 0,133%. A entidade ainda não fechou os dados de agosto.
Luppi observa que nos últimos 20 anos o agronegócio cresceu de forma muito rápida no País. Isso, segundo ele, não permitia que os produtores esperassem por muito tempo para comprar uma máquina, tendo que recorrer a empréstimos ou financiamentos, deixando o consórcio em segundo plano. Hoje, com o estabelecimento da frota de máquinas e equipamentos no Brasil, Luppi destaca que o produtor usa o consórcio como uma forma de investimento. Um dos objetivos desse investidor, assegura ele, é renovar aos poucos a frota da propriedade.

Demanda
Em algumas concessionárias de máquinas e equipamentos agrícolas de Londrina o uso do consórcio é comum, mas não é muito representativo. Paulino Ito, consultor de vendas da Dimasa, revendedora Massey Ferguson, o consórcio representa entre 7% e 8% das vendas da concessionária. "Quem busca o consórcio é aquele cliente que já possui uma frota, utilizando o serviço para investimento", explica.
Na concessionária AgriCase, revendedora Case em Londrina, 3% das vendas de máquinas são por meio de consórcios. Aparecida Renata Gomes, assistente de vendas da concessionária, aponta que uma das vantagens do consórcio é que o cliente tem a opção de pagar as parcelas mensais, semestrais ou anuais, diferente do financiamento que só é permitido o pagamento anual. Aparecida afirma que o consórcio é um investimento de longo prazo e que não afeta o fluxo de caixa do produtor, diferente do financiamento. Por isso, conclui ela, esse plano de aquisição é um negócio vantajoso.

Imagem ilustrativa da imagem Aumentam contemplações de consórcios de veículos pesados