As dificuldades das indústrias moageiras de soja estão se agravando desde que a exportação de farelo e óleo perdeu competitividade em relação à exportação de grãos com a Lei Kandir, há quatro anos. As indústrias moageiras no Paraná estão paralisando suas atividades. Em Ponta Grossa, a Ceval, a Olvepar e a Cargill paralisaram ontem esmagamento da soja. O movimento está se alastrando no Rio Grande do Sul e no Triângulo Mineiro.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) Cesar B. de Souza não descarta a falta de farelo de soja no mercado interno caso a paralisação se prolongue. A produção de farelo e óleo esse mês deverá ser 9% inferior que igual período do ano passado. Por enquanto, não se fala em demissões do setor, mas caso as dificuldades de exportação persistam, as indústrias não descartam a necessidade de reestruturação.
Souza frisou que não são somente as divergências de imposto que estão provocando essa onda de paralisação nas indústrias do Paraná. O fato é que elas vêm operando com prejuízo nos últimos quatro anos e esse ano está sendo a‘‘ gota d’ água’’. Para ele, é melhor parar as atividades do que operar com prejuízo.
A Cargill concedeu férias coletivas. A empresa não está conseguindo exportar o óleo. Ela reclama da falta de margem de lucro no esmagamento. As cooperativas Coamo e Agrária reduziram a moagem de soja em 50%. A Coamo que industrializava em torno de 5.000 t/dia, reduziu para 2.500 t. O diretor Roberto Petrauskas, disse que não compensa mais esmagar. A cooperativa Agrárias que industrializa em torno de 36.000 t/mês deverá moer esse mês apenas 18.000 t.
A crise das indústrias moageiras estão se agravando também em função da superprodução de óleo de palma e com isso o preço do óleo de soja teve uma queda de 20% no mercado mundial. Paralelamente à superoferta de óleo, a China parou de importar o produto depois que montou indústrias moageiras. Agora, só importa grãos. Segundo a Abiove, no período março a maio, aquele país importou mais 700% de grãos e encerrou a importação de óleo e farelo. ‘‘Enquanto os demais países estão se estruturando para beneficiar a soja, o Brasil está indo na contramão, com o desequilíbrio tributário’’, disse Souza.
Coimbra Há pouco mais de um mês, a unidade de esmagamento de soja de Londrina da Comércio e Indústrias Brasileiras Coimbra também suspendeu as atividades. Na época, o diretor-comercial da empresa, Bruno Melcher, alegou que a medida adotada estava intimamente ligada às condições das indústrias de esmagamento de soja no Brasil, que dependem das condições internacionais da demanda por farelo e óleo de soja.
‘‘Hoje, as indústrias brasileiras estão sofrendo com a competição de outras indústrias instaladas em vários países do mundo’’, disse. Ele ressaltou, no entanto, que o setor vinha sendo bastante prejudicado por não estar conseguindo transferência do ICMS. ‘‘Nossas unidades instaladas no Paraná, que são obrigadas a se suprir de matéria-prima de outro Estado, paga 12% do ICMS, valor creditado no Estado, mas não pode repassar aos produtos que exporta’’, disse. Segundo ele, a Coimbra vinha amargando prejuízos de US$ 20 a US$ 25 por tonelada de soja esmagada ( Benê Bianchi .
Veja amanhã: Secretaria da Fazenda agiliza processos de transferência do crédito do ICMS da soja.

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