Aumenta procura por sementes de soja
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terça-feira, 03 de junho de 2003
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
A julgar pela movimentação do mercado de sementes, que começa a receber pedidos de reserva para o plantio da próxima safra de verão, deve haver crescimento na área de soja do Paraná. Produtores e vendedores desse insumo ouvidos pela Folha concordam que, acompanhando a tendência registrada na safra passada, as lavouras de soja continuarão ocupando áreas de milho. O abastecimento do cereal, por isso, ficará mais dependente da safrinha de inverno.
Na Cooperativa Agropecuária de Cascavel (Coopavel), a negociação das cultivares de soja já é 15% superior ao índice do ano passado. ''Entre reservas e compras, 65% da produção já está comprometida'', informou o engenheiro agrônomo Itacir Afonso Tosin, gerente da unidade de produção de sementes da empresa.
Outra tendência observada por Tosin é a maior demanda por cultivares precoces. Com o adiantamento da colheita, o produtor ganha um prazo maior para o plantio do milho safrinha. ''A área da primeira safra de milho deve diminuir um pouco'', avaliou.
O mesmo quadro é observado por Aquiles de Oliveira Dias, assistente de compras da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), de Campo Mourão. Segundo ele, as reservas de sementes de soja superaram as expectativas para esta época do ano. Além disso, a produção da cooperativa será de 5% a 10% maior. Por outro lado, o volume de reservas de sementes de milho está um pouco abaixo da expectativa. ''Isso indica que o produtor está decidido a investir na soja'', disse.
Ralf Udo Dengler, gerente executivo da Fundação Meridional - que desenvolve e produz cultivares de soja para diferentes regiões do País - informou que a tendência verificada no Paraná se repete em outras regiões brasileiras. ''A expectativa é que, em cinco anos, o Brasil supere a produção americana'', observou.
Segundo ele, como o mercado da soja está muito favorável, o produtor está preferindo plantar a oleaginosa. ''Os preços devem se manter atraentes'', disse, alertando que, independentemente do comportamento do mercado, o produtor deve manter a área de milho mais ou menos estável para viabilizar a rotação de culturas.
Flávio Turra, engenheiro agrônomo da gerência técnica e econômica do Sindicato e Organização das Cooperativas Paranaenses (Ocepar), analisou que uma possível mudança nessa conjuntura depende do desempenho da safrinha de milho. Se houver frustração por causa do clima desfavorável, a exemplo do que aconteceu no ano passado, a cotação do milho pode subir e influenciar a decisão dos produtores, provocando aumento na área. Outro fator que pode interferir na cotação do cereal é o câmbio.
A Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (Apasem) ainda não tem números oficiais sobre a produção de sementes no Estado. Uma estimativa incial revela que o Paraná deve produzir 4,3 milhões de sacas de sementes de soja e 800 mil sacas de milho. Essa estimativa, porém, pode variar para mais ou para menos nos próximos meses. ''Depende do comportamento do mercado e de possíveis problemas técnicos'', comentou Eugênio Bohatch, diretor executivo da entidade.


