Com a onda de retirada de recursos nos fundos de renda fixa e DI, outras modalidades de investimentos comemoram o aumento de captações. Além da elevação de depósitos na caderneta de poupança, ouro, dólar e CDB também vêm registrando crescimento nos volumes negociados desde o dia 31 de maio, quando entraram em vigor as regras de ajuste dos títulos dos fundos a preço de mercado. Segundo dados oficiais da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), entre o dia 31 e segunda-feira, os saques somaram cerca de R$ 2 bilhões. Assustados, os investidores partiram à procura de novas oportunidades.
Na BM&F, o destaque tem sido o número de contratos futuros de ouro, que saltou de 82, dia 31, para 600, na quinta-feira. A média diária de quilos negociados avançou de 36 para 102,25 quilos, aumento de 184%. A venda do metal em barra também despertou o interesse. Segundo o grupo Ourominas, há 30 anos no mercado, as negociações aumentaram entre 20% e 30% desde o dia 31. Mas a procura por informações sobre como comprar o ouro foi superior ao porcentual.
Na Corretora Souza Barros, o número de ligações em busca de dados sobre aplicações em ouro também subiu. Segundo o gerente da área operacional de BM&F da instituição, Aparecido Simões Ferreira, as operações aumentaram, mas não há balanços sobre a conclusão dos negócios. O interessante, na sua opinião, é que a busca tem sido intensa entre pessoas físicas, o que não é comum.
Ele recomenda cuidado para quem está entrando agora neste mercado. Isso porque a cotação do ouro varia conforme o mercado internacional e as oscilações do dólar. O aumento do interesse pelo ouro vem desde o início do ano, mas se intensificou com as perdas dos fundos. Segundo a Ourominas, de janeiro até ontem, quem aplicou em ouro teve ganho em torno de 27%. Embora a perspectiva seja de alta, os investidores podem estar entrando na aplicação num momento em que o ativo está caro. ‘‘O preço é o maior dos últimos anos’’, afirma o diretor da Corretora Paulista Socopa, Gilberto Biojone.
Segundo ele, as aplicações em câmbio também vêm apresentando crescimento - num momento em que a moeda americana está alta. Na BM&F, os contratos futuros de dólar tiveram aumento de 51%. A venda da moeda apresentou ‘‘demanda exagerada’’, segundo o diretor de câmbio da Cotação, Nelson Gasparian. Na empresa, o volume de ligações à procura de informações subiu 50%. Os depósitos em poupança subiram de R$ 75 milhões no dia 31 para R$ 421,81 milhões na segunda feira, segundo o BC.

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