Aumenta procura por crematórios no Paraná
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A tradição de enterrar o corpo de uma pessoa no cemitério ainda é grande. Mas o mercado de crematórios cresce cada vez mais. No Paraná existem três empresas autorizadas a realizar o serviço, todas localizadas na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). No entanto, o interior não vai ficar de fora. A curto e médio prazo estão previstas instalações de equipamentos em Campo Mourão, Maringá, Londrina e Cascavel. Apenas na empresa Vaticano, localizada na RMC, cerca de 30 corpos são cremados por mês. Desse total 10% são do Norte do Estado. Entre as três empresas, de 10 a 20 cremações são feitas por mês com corpos vindos de cidades praticamente de todo o interior do Estado.
O gerente do Crematório Perpétuo Socorro, Edimar Mattos, acredita que um crematório no Norte do Paraná iria suprir a necessidade da região. ''No futuro, cada vez menos pessoas vão procurar por cemitérios'', opina. Para transportar um corpo para outra cidade, com o intuito de ser cremado, o Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços Funerários do Paraná tem o preço tabelado em R$ 1,20 por quilômetro. Por exemplo, uma família de Londrina que contratar o serviço poderá pagar, aproximadamente, R$ 1 mil apenas com o transporte do corpo, já que também é necessário pagar o trajeto de volta, com a urna e as cinzas.
O presidente do sindicato, Gélcio Miguel Schibelben, diz que há um aumento significativo na procura pelo serviço de crematórios em Curitiba e Região Metropolitana. Porém, no interior o serviço ainda é pouco solicitado. ''Em algumas cidades a cultura de enterrar o corpo é muito forte'', opina. Mas o altos preços praticados pelos cemitérios podem mudar os planos de muita gente. ''No Cemitério Municipal de Curitiba não há vagas. Nos particulares um jazigo custa entre R$ 9 mil e R$ 12 mil para dois corpos, fora a taxa de manutenção anual'', explica.
No crematório Jardim da Saudade, também na RMC, já foram cremados corpos de Cascavel, Maringá, Umuarama e Ponta Grossa, além de outros vindos de cidades catarinenses, como Joinville, Florianópolis e Blumenau. Mas o volume de clientes do interior ainda é pequeno. ''Mais de 90% são de Curitiba'', explica um dos diretores da empresa, Andrei Matzenbacher.
Crescimento
A empresa Vaticano foi o primeiro crematório a atuar no Estado e funciona há dez anos. No primeiro mês de atividade foram apenas cinco cremações. Em uma década o crescimento no número de corpos cremados cresceu 600%. A baixa do preço do serviço é um dos principais motivos por esse aumento. Entre os crematórios existentes o trabalho varia de R$ 1.850 a R$ 3,5 mil. No Crematório Perpétuo Socorro, o cliente paga em quantas prestações quiser. ''Em 10 parcelas é sem juros, mas também é possível pagar em 50 vezes'', afirma Edmar Mattos. Esse valor não inclui o serviço da funerária, que providencia o caixão, faz a preparação do corpo e organiza o velório. O trabalho custa entre R$ 2 mil e R$ 5 mil. Nos serviços mais completos a família poderá pagar até R$ 20 mil. Para pessoas carentes o serviço básico é disponibilizado gratuitamente.
Segundo a sócia-proprietária da empresa Vaticano, Mylena Cooper, uma série de motivos tornam a cremação uma boa opção. Os familiares não precisam pagar pela taxa anual de manutenção cobrada pelos cemitérios particulares. ''A cerimônia realizada antes da cremação também atrai mais pessoas. Fazemos um vídeo com imagens da pessoa que morreu e colocamos a música que ela mais gostava. Isso fica na memória como um momento bonito. Bem melhor do que enterrar e ver alguém jogar terra em cima do caixão'', avalia.
Se a morte foi natural, o corpo só poderá ser cremado após a autorização de dois médicos, feita por meio de documento. Esse procedimento é feito no próprio hospital ou no Instituto Médico Legal (IML). No caso de morte violenta, um alvará judicial é necessário. Cremar o corpo significa perder uma possível pista do crime, se o caso ainda não foi resolvido.


