Aumenta pressão contra carne clandestina
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quinta-feira, 06 de novembro de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Representantes do Ministério Público do Paraná, Supermercados e do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados (Sindicarne), além de setores da saúde, deverão se reunir na semana que vem com o delegado do Ministério da Agricultura, Mário Bezerra, para discutir o abate clandestino no Estado. Na semana passada, o Sindicato entrou com uma denúncia na Promotoria Pública contra os abatedouros clandestinos e a venda de carne não inspecionada. A estimativa do sindicato é de que 80% da carne consumida no Estado é de origem clandestina.
De acordo com o presidente do sindicato, José Thomazelli, a indústria organizada do setor está sofrendo concorrência desleal dos segmentos clandestinos. Ele diz que existem no Estado cerca de 20 empresas que sofrem fiscalização do Ministério da Agricultura. Estas empresas fazem parte do que ele chama de indústria organizada e comercializam carne com inspeção federal. São empresas, cujo abate tem o acompanhamento permanente de médicos-veterinários, explica.
Sem inspeção Em contrapartida, denuncia Thomazelli, existem no Estado 119 abatedouros municipais que não contam com inspeção. A inspeção nestes abatedouros é estadual e temporária. Segundo Thomazelli, a inspeção temporária não atende às exigências da lei e permite o abate clandestino. A legislação determina que a inspeção sanitária deve ser permanente e não temporária, garante. Há denúncias contra veterinários que atendem os abatedouros e que deixam o certificado de inspeção assinado em branco.
Para coibir o abate clandestino, o Sindicarne fez um convênio com a Secretaria de Agricultura (Seab) permitindo que as empresas organizadas façam o abate do animal dos abatedouros municipais. De acordo com o convênio, as empresas não cobram para fazer o abate, mas exigem a nota fiscal da compra do boi e a guia de trânsito dos animais (GTA). O abate tem custo zero, mas os abatedouros não se interessam porque a exigência da GTA e da nota fiscal implica no pagamento de impostos, diz Thomazelli.
Outra tentativa do Sindicato em acabar com o abate clandestino é a modificação da portaria 304 que exige a comercialização da carne embalada. O Sindicato quer que a portaria seja obrigatória nas cidades com 80 mil habitantes e que até mesmo a carne com osso seja embalada em caixa com as informações sobre a sua procedência. Segundo Thomazelli, o abate clandestino é evidente na região de Maringá. Ele diz que a cidade tem três frigoríficos que contam com o serviço de inspeção federal, mas que, apesar disso, apenas 15% da carne consumida é abatida nestes estabelecimentos.


