Carnes do Paraná podem conquistar mercado internacional, quando ficar comprovado que Estado não tem aftosaCom a expectativa do reconhecimento internacional de que os Estados do Sul estão livres da febre aftosa - porém, com vacinação -, começam a aparecer as oportunidades de exportação. O potencial é enorme e os mercados mais disputados são o Japão e os Estados Unidos, que pagam entre 30% e 40% a mais nos cortes nobres de carne bovina in natura, oriundos de países sem restrições sanitárias.
Apesar das possibilidades animadoras, o consultor em pecuária, José Vicente Ferraz, da consultoria paulista FNP, adverte que a briga será enorme. O Brasil assusta, pelas suas dimensões, mas os demais países exportadores de carne não estão dispostos a perder mercado, avisa.
Já a carne suína também é outro importante mercado a ser conquistado, com o fim das restrições sanitárias impostas para a região Sul. Uma das possibilidades que se abre é os três estados, PR, SC e RS, exportarem carne de suíno para a Europa, especificamente para a Itália, cujo consumo está avaliado em 600 mil t/ano.
Antes disso, a região precisa comprovar que não tem mais peste suína clássica. Ocorre que a imagem que a Europa tem do Brasil é que essa doença ainda predomina em todo o país. Mas há mais de 3 anos não se detecta um foco de peste suína clássica nos três estados do Sul, e as condições sanitárias dessa região são melhores do que na Alemanha, Holanda, onde foram detectados focos de peste suína clássica, recentemente, garantiu Felizberto Queiroz Batista, coordenador da Defesa Sanitária Animal, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.
Em setembro, será realizado um amplo seminário em Florianópolis, com a participação dos três estados do sul (PR,SC e RS) para organizar investimentos e atender as exigências sanitárias impostas pelo mercado internacional. Para este seminário, que terá a participação dos governadores e representantes da cadeia produtiva de suínos dos três estados do sul, virão consultores italianos para conhecer as condições sanitárias do rebanho suíno dessa região do país. Para se ter uma idéia, durante o ano passado o Brasil todo não exportou mais do que 5% da demanda existente por carne suína só na Itália, afirmou Péricles Salazar, presidente do Sindicarnes-PR.
Péricles Salazar está cético em relação aos avanços das condições sanitárias no Paraná, fundamental para o Estado se juntar aos demais estados do Sul no reconhecimento Internacional do Instituto de Epizootias de que o estado está livre da febre aftosa. Segundo ele, a luta só está começando e o Estado precisa desenvolver um sistema de controle eficiente de manejo e movimentação de animais, para depois pensar em usufruir das vantagens econômicas que se abrem no mercado externo.
‘‘Depois disso é que a briga será feia’’, salientou Ferraz, da FNP. Isso porque a conquista do mercado internacional não vai ser fácil e se o Brasil quiser terá de dar muito desconto para conseguir fatias no mercado. Apesar disso o país assusta os concorrentes. Segundo Ferraz, o Brasil tem o segundo maior rebanho bovino comercial do mundo, com 145 milhões de cabeças e um abate de 30 milhões de cabeças por ano.
A produção atual é de 6 milhões de toneladas por ano, em equivalente carcaça. Ocorre que para conquistar o mercado externo o país precisa vencer todas as barreiras sanitárias que lhe são impostas, resumiu.

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