A participação dos produtos básicos na pauta de exportação paranaense aumentou de 50% para 56% no período de janeiro a maio de 2014, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os produtos manufaturados, que somaram 37% em 2013, caíram para 33%. E os semimanufaturados saíram de 10% para 9%. Os números são mais um indicador do desaquecimento da indústria estadual. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)
A soja em grãos representa 30% da exportação estadual nos cinco meses. Quando se soma a oleaginosa, seus derivados, e a carne de frango, chega-se a 55% das exportações paranaenses. Já todos os produtos do agronegócio e a agroindústria representam 76% do total exportado. Entre os manufaturados, a indústria automotiva (automóveis, carretas, motores, peças) chega próximo de 10% das exportações.
Enquanto a participação das commodities agrícolas aumenta entre os produtos exportados, o Paraná importa cada vez mais industrializados. Esses produtos representam 84% das importações paranaenses nos cinco primeiros meses de 2014. Apenas 11% do que o Estado compra no exterior são básicos.
Para o economista da Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, o principal motivo para o aumento da participação dos produtos básicos nas exportações do Paraná é a crise econômica da argentina. "A Argentina é o segundo parceiro comercial do Paraná. E compra os produtos que nós fabricamos. Com a crise, estão comprando cada vez menos", afirma. O País vizinho comprou 8% dos produtos que saíram do Estado neste ano. O principal parceiro, a China, levou 28%.
O economista ressalta que, desde 2006, há uma tendência de o País, como um todo, exportar mais commodities agrícolas. "Enquanto continuar essa política de incentivo à exportação desses produtos básicos vamos continuar com esse desequilíbrio", declara. Segundo Zurcher, uma forma de o governo resolver essa situação é alterar a forma de cobrança de tributos. "Para incentivar suas indústrias, muitos países cobram alíquotas menores pela exportação de produtos com valor agregado", sugere.
Para Francisco Castro, economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o Brasil precisa reorganizar a balança comercial o quanto antes. "Os dados mostram que a situação está muito ruim, com o País cada vez mais comprando produtos produzidos lá fora", afirma. Ele ressalta que a produção nacional de automóveis caiu 10% de janeiro a abril deste ano.

Negativa
A balança comercial do Estado teve um saldo negativo de US$ 75 milhões no acumulado do ano (de janeiro a maio). Foram US$ 6,936 bilhões de exportações e US$ 7,011 bilhões de importações.
As exportações deste ano são 1,31% menores que as do mesmo período do ano passado, que totalizaram US$ 6,845 bilhões. Mas o saldo negativo em 2013 era maior: de US$ 93 milhões. Isso porque as exportações também foram maiores: US$ 7,776 bilhões.

Imagem ilustrativa da imagem Aumenta participação de produtos básicos nas exportações do Paraná