Aumenta o consumo de aves especiais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de dezembro de 1998
Alda do Amaral Rocha Agência Estado 
A expectativa de recessão em 1999 não diminuiu o otimismo da indústria de alimentos sazonais, como peru e aves especiais, para este fim de ano. As duas maiores do setor, Sadia e Perdigão, aumentaram a produção desses itens e investiram pesado em marketing. Frangosul e Ceval mantiveram a oferta do ano passado, enquanto a Avipal e a Rezende Alimentos lançaram novos produtos no mercado.
Entre analistas do setor e fontes das indústrias, alguns avaliam que as vendas devem crescer; os menos otimistas prevêem estabilidade em relação ao mesmo período de 97. Mas quase todos concordam que no atual cenário de juros altos e conjuntura econômica desfavorável, o consumidor deve investir mais na ceia de Natal que na compra de bens duráveis.
Os juros altos não beneficiam o comprometimento da renda com bens duráveis. Por isso, o dinheiro deve migrar para produtos de menor valor agregado novamente este ano, afirma a analista de investimentos, Aline Prado, do Lloyds Asset Management. Além disso, diz, nesta época do ano, o consumidor tem um maior volume de recursos graças ao pagamento do décimo terceiro salário.
Outra analista do setor, Luciana Massaad, do Banco Fator, concorda com a avaliação e diz que a área de alimentos é uma das menos afetadas pela crise econômica. Além disso, reforça que se as empresas estão aumentando a produção é porque existe mercado para esses produtos.
Andréa Teixeira, analista do Bozzano Simonsen, acredita que a migração de recursos destinados à compra de bens duráveis para a aquisição de alimentos pode acontecer, mas numa dimensão pequena porque as vendas neste último caso são menos elásticas que no setor de bens duráveis.
Segundo sua avaliação, as vendas desses produtos sazonais devem ficar estáveis em relação a 98 em função da crise econômica e do desemprego, enquanto a renda com essas vendas deve cair. Ela destaca, no entanto, que não deve ocorrer queda nos volumes vendidos, pois o consumidor vai tentar ao menos ter uma ceia ainda que seja comprando um produto mais barato, de menor valor agregado.
Mais Perus Sadia aumentou oferta de perus em 10%. Apostando no aquecimento do mercado de alimentos neste fim de ano, a Sadia aumentou em 10% a oferta de perus, seu carro-chefe, em relação ao mesmo período do ano passado. Para o total de produtos destinados às festas de fim de ano (peru, Fiesta e Tender), a expectativa é de um crescimento entre 4% e 5% nas vendas, segundo o diretor comercial da Sadia, Roberto Banfi. Os pedidos de perus aumentaram 10%, diz Banfi, sem divulgar os números absolutos.
A empresa investiu mais de US$ 5 milhões numa campanha publicitária para promover as vendas de peru e elevou em dois mil o número de promotoras nos pontos de venda, de acordo com Banfi. Essa perspectiva otimista em relação às vendas de peru tem base. Segundo Roberto Banfi, pesquisa realizada pelo Instituto Enfoque em Minas Gerais, Rio, São Paulo e Estados do Sul no ano passado mostrou que o produto tem uma penetração de 55% na classe AB e de 40% na CD. Os números mostram, de acordo com Banfi, que o consumo do produto independe de classe social ou local da residência.
Segundo o diretor comercial da Sadia, os preços do peru no atacado estão estáveis em valores reais, com um ajuste mínimo, cotados a R$ 3,00 o quilo.
Chester também A Perdigão também espera aumentar em 10% as vendas de Chester, sua ave especial, neste mês em relação a período correspondente de 97, totalizando 5,2 milhões de unidades. De acordo com a empresa, a previsão se baseia no ritmo da demanda já detectado nos pontos de vendas e supera expectativa inicial de crescer 5%.
Segundo o diretor de marketing, Antonio Zambelli, já está havendo reposição de estoques nas redes do varejo. Para promover as vendas do Chester, a Perdigão investiu US$ 2 milhões em campanha publicitária na tevê e outdoors. Além disso, foi ampliado o número de promotoras nos pontos de venda.
Para Zambelli, outra garantia de vendas aquecidas neste fim de ano é que produtos sazonais com preços acessíveis tendem a ser incorporados à ceia de natal. Sobre a oferta variada de aves especiais no mercado, Zambelli admite que produtos lançados mais recentemente até podem avançar sobre os mais antigos na participação nas vendas, mas diz que isso não vem acontecendo com muita frequência. Por menor que seja o poder aquisitivo, o consumidor compra o produto que ele conhece, que tem tradição, afirmou.
De acordo com a Perdigão, os preços do chester ao consumidor são equivalentes aos de 97 - entre R$ 3,00 e R$ 3,30 o quilo.
Frangosul e Ceval mantêm a oferta de 97: A Frangosul e a Ceval mantiveram a oferta de suas aves especiais este ano em relação ao fim de 97. O diretor comercial da Frangosul no mercado interno, Jair Paludo, acredita que as vendas de aves especiais em geral devem crescer este ano, mas o aumento deve ser absorvido pelos novos produtos existentes no mercado. As vendas de Bruster, o produto da Frangosul, de peru e de chester devem ficar estáveis em relação a dezembro de 97, segundo Paludo.
Frangosul A fim de ampliar a participação do Bruster, a Frangosul aumentou o número de pontos de venda do produto, que é líder no Rio Grande Sul. Também aumentou proporcionalmente o número de promotoras nos pontos de venda, de acordo com Paludo. O preço do produto no atacado recuou 2% em relação a 97, segundo o diretor comercial, e está pouco acima de R$ 2,50 o quilo.
As vendas do Classy, a ave especial da Seara Aves, divisão da Ceval, estão bem encaminhadas, segundo o superintendente nacional de vendas da empresa, Nilson Olivo. Ele acredita que o consumo de aves festivas deve crescer este fim de ano, mas este aumento seria absorvido pelas novas marcas existentes no mercado.
A partir dessa avaliação, a Seara Aves decidiu manter a oferta do Classy, cujo preço no atacado varia de R$ 2,18 a R$ 2,48 o quilo, queda de 10% em relação aos valores do ano passado.


