Com a crise econômica, os brasileiros viram no trabalho por conta própria uma alternativa para a subsistência. Após trabalhar por muitos anos como vendedora e se aposentar, a ambulante Maria (nome fictício) resolveu revender perfumes na feira do Cinco Conjuntos, e panos de pratos no centro da cidade por conta própria. “Só com o dinheiro da aposentadoria não dá para sobreviver”, comenta. O aposentado Mérito Custódio, complementa a renda vendendo brinquedos que faz em madeira há quinze anos, como carrinhos, aviões, pião, entre outros. “Venho todos os dias para o centro da cidade com meus brinquedos”.

Imagem ilustrativa da imagem Aumenta número de trabalhadores por conta própria como alternativa ao desemprego no Paraná

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) define o trabalhador por conta própria como a pessoa que trabalha explorando seu próprio negócio ou empresa, sozinho ou com sócio, sem ter empregado e contando ou não com a ajuda de um trabalhador não remunerado. Segundo dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Contínua), no terceiro trimestre de 2019 (julho, agosto e setembro), o número de trabalhadores por conta própria chegou a 1,4 milhão no Paraná. A maioria (956 mil) atua sem CNPJ.

Com a melhora dos indicadores econômicos e o aumento do otimismo, no entanto, trabalhadores por conta própria passam a ver futuro no empreendedorismo e começam a formalizar os seus negócios. No terceiro trimestre de 2019,o número de trabalhadores por conta própria com CNPJ no Paraná cresceu 23,7% no terceiro trimestre de 2019 na comparação com o mesmo período de 2018. Em relação ao trimestre anterior – abril, maio e junho -, o crescimento foi de 13,5%. Foram contabilizados 426 mil trabalhadores por conta própria de julho a setembro desse ano, contra 375 mil no trimestre anterior e 344 mil no terceiro trimestre de 2018.

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| Foto: Gustavo Carneiro

Ângela Sonomura é arquiteta e faz objetos decorativos para a casa. Ela trabalhava como freelancer em projetos de arquitetura e urbanismo, mas não tinha nenhum emprego fixo. Com a chegada dos filhos, decidiu se dedicar à casa. "Sempre gostei muito de poder criar coisas novas, está sendo uma alegria poder fazer o que gosto e ainda ter tempo para me dedicar aos meus filhos. Em janeiro deste ano eu e meu marido começamos a produzir e a vender nossas criações de forma autônoma, o pessoal gostou e estamos até hoje." Sonomura formalizou o negócio no dia 22 de maio. "Hoje tenho imenso prazer em dizer que, com esforço, tenho algo meu", declara.

“Muitos começaram a trabalhar por conta própria na informalidade porque foi uma alternativa à crise. Não conseguiram uma colocação no mercado formal, então tentaram de alguma forma empreender. Com a melhora da economia, agora o empreendedor consegue se formalizar, seguir adiante e empreender”, comenta Suelen Glinski, economista do Departamento do Trabalho da Secretaria de Justiça, Família e Trabalho do Paraná.

Na visão de Liciana Pedroso, consultora do Sebrae/PR, o horizonte mais otimista da economia encorajou os trabalhadores por conta própria a formalizarem seus negócios. “Eles não voltaram a buscar emprego e formalizaram para continuar empreendendo.” A formalização, ela continua, dá uma nova perspectiva ao negócio. “Um negócio não cresce na informalidade.” Só com CNPJ um empresário pode fazer parcerias, comprar um volume maior de produtos de fornecedores, vender para outras empresas e abrir um estabelecimento comercial, alerta Pedroso. “Na informalidade, ele está fadado ao boca a boca e a vender de porta em porta.”

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Taxa de desocupação

O Paraná apresentou a sexta menor taxa de desocupação do País no terceiro trimestre de 2019. No período, o número de desempregados em relação ao número de pessoas na força de trabalho (ocupadas e desocupadas) foi de 8,9%. O índice se manteve praticamente estável em relação ao trimestre anterior, quando a taxa de desocupação era de 9%, e ao mesmo trimestre do ano passado (8,6%). A taxa de desocupação paranaense é menor que a média nacional, de 11,8%.

“A consistência do Estado, sem variações bruscas, em bases de dados distintas, mostra cenário otimista de expectativas no crescimento da geração de empregos”, comentou a Suelen Glinski.

No terceiro trimestre de 2019, o número de ocupados no Paraná era de 5,5 milhões e de desocupados 544 mil. A maior parte dos ocupados se encontrava nos setores de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (1,07 milhão), indústria (915 mil) e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (839 mil). (Colaboraram Camila Rosa e Mariana Presser)

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