Aumenta número de inadimplentes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de maio de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
O comércio curitibano volta a apresentar elevado índice de inadimplência entre os consumidores. A taxa de pessoas que fizeram compras e não conseguiram pagar em dia as prestações atingiu 6,3%. O percentual se refere ao saldo entre os novos registros e os que foram cancelados durante o mês de abril em relação a janeiro. A comparação trimestral se deve ao fato de que para ser considerado inadimplente, o consumidor tem de ficar 90 dias em atraso com o crediário.
O crescimento da inadimplência aparece após os lojistas terem comemorado a queda para zero da taxa, em março. Considerando os últimos 12 meses (maio de 2000 até abril deste ano), a variação líquida atingiu 3,4%. O percentual é um pouco mais baixo em relação aos 12 meses de maio de 1999 a abril de 2000, quando o índice ficou em 3,6%.
A maior dificuldade para os consumidores é conseguir honrar o pagamento de prestações que se estendem por vários meses. O compromisso de pagar todo mês uma prestação acaba sendo interrompido quando a situação financeira aperta. Segundo a Associação Comercial do Paraná (ACP), apesar de todas as dificuldades, a inadimplência tem apresentado redução. Em abril do ano passado tivemos a taxa em 6,7%, enquanto no ano anterior foi de 6,5%. Isso mostra a diminuição, destacou o vice-presidente de Serviços da ACP, Élcio Ribeiro.
Quanto ao volume de vendas, os indicadores econômicos coletados pela Associação Comercial apontam uma retração no movimento comercial. A queda nas vendas se deu tanto pelo sistema de pagamento à vista quanto a prazo. A redução nas vendas a prazo foi de 6,7%. O índice é calculado com base no número de consultas que os lojistas fazem ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). As consultas recuaram de 367 mil para 342 mil. Já o Videocheque, que é utilizado como indicador de vendas à vista, teve uma retração de quase 17%. Compras feitas com cheques pré-datados são consideradas à vista. Segundo Élcio Ribeiro, a elevação na taxa de juros é um fator que acaba por inibir a atividade comercial. O consumidor acaba ficando mais cauteloso com as notícias da crise argentina, aumento da taxa Selic e turbulências na política nacional, avaliou. Mas ele lembrou que houve uma expansão de 3% quando a comparação das vendas é feita desde o início do ano em relação aos primeiros quatro meses do ano passado.


