Rio e São Paulo - O principal objetivo para a realização de investimentos industriais em 2008 é a expansão da capacidade de produção. É o que revela a pesquisa Quesitos Especiais da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, referente ao período de abril e maio deste ano, divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
De acordo com o levantamento, o aumento da capacidade foi citado por 56% do total de 845 empresas consultadas, a maior frequência relativa da série histórica reconstituída a partir de 1998. ''As manifestações dos empresários de elevar os investimentos é um fator relevante que indica que há uma tendência de acomodação do nível de utilização da capacidade instalada (nuci) das indústrias no médio prazo'', disse o vice-diretor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Vagner Ardeo.
Setores que apresentam um nuci acima da média histórica e que seriam candidatos a enfrentar gargalos produtivos, elevaram de forma expressiva em um ano as intenções de expandir a capacidade de suas fábricas para atender a demanda. No caso do segmento de material de transporte, cuja média histórica para o nuci é de 82% mas atingiu 93,2% em abril, as manifestações que visam elevar o nível de produção avançaram de 38% em abril de 2007 para 88% no mesmo mês deste ano.
No caso do setor metalúrgico, que apresentou há dois meses um nuci de 92,5%, marca acima da média de 90,5% registrada ao longo dos últimos anos, as intenções de aumentar a capacidade de expansão apresentaram um incremento de 59% para 67%.
A pesquisa também mostra que 74% dos entrevistados avaliam que não enfrentam dificuldades para realizar investimentos. De acordo com o levantamento, 95% dos empresários possuem programas para ampliar a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o que é também o maior nível registrado pelo levantamento desde 1998. Tal avaliação favorável ao aumento da FBCF foi exposta pelas empresas de materiais de construção, pois as intenções aumentaram de 41% para 53%, o que também foi acompanhado pelo setor de bens intermediários, que avançou de 50% para 59%
A pesquisa realizada pela FGV analisou também os fatores que limitam a realização de investimentos. O principal tópico ainda é a carga tributária elevada, que subiu de 49% em 2007 para 50% na edição mais recente do estudo. Na sequência, os dois fatores que mais chamaram a atenção são o custo do financiamento e limitação de recursos por parte das empresas, que subiram em ambos os casos de 18% para 30% no período. Um quarto elemento é a taxa de retorno inadequada, que caiu de 18% para 16%.

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