A partir de hoje aumenta a mistura de etanol anidro na gasolina de 20% para 25%, o que não deve interferir no preço final do combustível nos postos. Como o custo de ambos nas refinarias de petróleo e nas distribuidoras de álcool é semelhante, a maior vantagem será mesmo para a Petrobras, que reduzirá a importação de gasolina. Na sequência, aparece a indústria sucroalcooleira, que, em vez de correr o risco de ter sobra de anidro e queda no preço, terá aumento no consumo e receita de R$ 2,5 bilhões a mais na safra 2013/14 do que na anterior.
Diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Dinho Sprenger afirma que o custo atual do etanol anidro é até maior do que o da gasolina pura. Segundo a última atualização do indicador semanal do Cepea/Esalq, o litro para mistura saía por R$ 1,3721 até o último dia 26. "Para a gasolina, não há um órgão que informe o preço na refinaria, mas o valor de mercado para o posto é de R$ 1,3295", diz Sprenger. Por isso, ele descarta uma redução automática.
Sprenger acredita que o principal interesse do governo com a mudança é aliviar os custos da Petrobras, que importa gasolina por preço inferior ao que vende no mercado nacional. O superintendente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), José Adriano Dias, diz que o custo de aquisição do combustível pela empresa brasileira é pouco inferior a R$ 1,50, conforme o câmbio do dólar no dia. "A diferença (ampliação de 5% de anidro na gasolina) vai para a conta da Petrobras, que vai reduzir as importações e deixar de perder tanto."
Dias, entretanto, lembra que produtores e indústria da cana-de-açúcar também terão um mercado a mais com a ampliação, o que deve contribuir para a recuperação do setor. Ele diz que a mistura 5% maior representa 150 milhões de litros a mais de anidro por mês, ou 1,8 bilhão a mais em um ano. Ao considerar o preço médio do combustível em R$ 1,35, ele diz que serão R$ 2,43 bilhões a mais de rendimento em 2013 para a indústria sucroalcooleira.
Para o consumidor, o superintendente da Alcopar diz que deve ocorrer queda de custos devido ao início da safra de cana-de-açúcar. "O etanol hidratado já caiu de preço, então a resposta é imediata", conta. Porém, ele lembra que é cedo para querer uma grande redução, já que o próprio setor produtivo ainda aguarda o impacto das medidas de desoneração do Pis e Cofins, anunciadas em abril pelo governo. "Mudanças na legislação tributária demoram 90 dias para chegar ao produto."
Apesar de esperar benefícios para indústria da cana, Dias reforça a necessidade de políticas públicas de médio e longo prazo para o setor. Ele também descarta risco de desabastecimento devido à possibilidade de 12 usinas, com capacidade de processamento de 18 milhões de toneladas, fecharem na região Centro-Sul neste ano. "Outras três que serão abertas, já serão mais modernas e poderão moer 8 milhões de toneladas, então não há problema. O excedente será absorvido por outras, que não trabalham na capacidade máxima", diz. Ele completa que ocorrerá uma migração da produção de açúcar para o etanol neste ano, com aumento da fatia para o combustível de 48% para 52%.

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