Aumenta aposta na queda dos juros
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
Agência Estado 
Brasília - A queda no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - usado na política de metas de inflação do Banco Central (BC) - serve de combustível para os defensores de uma redução mais acelerada da taxa de juros neste segundo semestre. O IPCA registrou deflação de 0,15% no mês passado e as apostas são de que isso será decisivo na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 22 e 23. A dúvida, agora, é em relação ao tamanho do corte.
Em reunião com lideranças do governo na Câmara dos Deputados, na terça-feira, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, sinalizou que a taxa Selic deverá estar entre 20% e 21% no fim do ano. Para isso ocorrer, os juros deverão cair cerca de 1 ponto ao mês até o fim do ano, já que o Copom tem pela frente seis reuniões agendadas.
Segundo relato dos parlamentares presentes ao café da manhã com o ministro, realizado na residência do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Palocci deixou bastante claro que a tendência da taxa de juros é declinante e, com base nessa perspectiva, disse aos deputados que os juros poderiam estar, em dezembro, entre 20% e 21%. Segundo um dos participantes, o ministro fez questão de lembrar que esse porcentual não deve ser entendido como uma meta a ser cumprida pelo governo, mas sim uma sinalização de que, mantida as atuais condições econômicas, o BC terá condições de reduzir a taxa Selic em pelo menos 1 ponto porcentual ao mês até dezembro.
Para o economista-chefe do banco Boreal, Elson Aguiar, o ritmo de redução da taxa de juros daqui para frente deve ser projetado com muito cuidado. Ele alerta que o fato de o IPCA ter registrado deflação em junho não pode ser analisado isoladamente. O resultado do mês passado, argumenta, mostra uma influência de poucos itens e não uma queda generalizada de preços. ''O núcleo da inflação ainda está num nível alto'', afirma, destacando que, ao excluir alimentação no domicílio e preços administrados, a inflação ficou praticamente no mesmo nível da registrada em maio.
Por isso, ele acha que se deve tomar muito cuidado com a expectativa de queda de 2 pontos na taxa de juros. ''Não dá para dizer que a guerra contra inflação foi vencida. Estamos no caminho certo, mas ainda é preciso perseverança'', afirma.


