São Paulo - Pelo segundo ano consecutivo, a safra de soja deverá apresentar quebra. As empresas de consultoria e a associação das indústrias de óleo já reviram suas estimativas de safra recorde. Diante desse cenário, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) adiou o anúncio do terceiro levantamento da safra 2004/2005, que estava previsto para ontem. A divulgação será feita na próxima semana, em data a ser confirmada.
A Agroconsult, empresa de consultoria no setor agrícola, acredita que os efeitos da seca no Rio Grande do Sul, Paraná, e em algumas regiões de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, vão provocar uma quebra de quase 10 milhões de toneladas. No início da safra, a Agroconsult chegou a prever uma safra de soja de 63 milhões de toneladas. Agora a consultoria reviu esse número para 53,1 milhões de toneladas. O principal responsável será o Rio Grande do Sul, cuja estimativa é de uma quebra de safra de 60%.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) também reduziu esta semana sua estimativa para a oleaginosa, mas sem um corte tão drástico. A variação negativa é de 5,2% entre os levantamentos estatísticos de janeiro e fevereiro. A colheita esperada em janeiro era de 61,5 milhões de toneladas, ante os atuais 58,3 milhões de toneladas.
O volume subtraído pela seca, nas contas da Abiove, é de 3,2 milhões de toneladas. Essa revisão da safra está se refletindo nos preços internacionais da soja. No mês de fevereiro, o contrato março da soja na Bolsa de Chicago subiu cerca de 22%, revertendo a tendência de queda que vinha sendo registrada desde meados do ano passado.

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