São Paulo - O sistema brasileiro de consórcios registrou crescimento de 4,6% em número de participantes no primeiro bimestre de 2004 em relação ao mesmo período do ano passado. O total de consorciados, que se manteve praticamente estabilizado em 3,01 milhões em 2003, passou para 3,15 milhões neste começo de ano.
A recuperação foi motivada pelo esforço que os bancos estão fazendo em reativar cotas que estavam paralisadas. Já as vendas de novas cotas no período caíram 2,4%. Foram negociadas 255,4 mil contra 261,7 mil no acumulado de janeiro e fevereiro do ano passado. As contemplações somaram 133,6 mil, 1,9% mais do que no mesmo período de 2003, de acordo com dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac).
Os veículos automotores ainda são os bens mais visados pelos consórcios. O crescimento do número de participantes foi de 4,9%, evoluindo para 2,78 milhões, enquanto as vendas de novas cotas apontaram queda de 5,3%, passando para 209,2 mil. Os participantes de consórcios de motocicletas respondem por 57% do total e somaram 1,8 milhão de pessoas no bimestre, 9,1% mais que em 2003.
O setor de imóveis registrou um crescimento de 41,7% no número de participantes ativos, que totalizaram 179,2 mil. As vendas de novas cotas no acumulado de janeiro e fevereiro aumentaram 19,8%, somando 15,1 mil. As contemplações neste setor atingiram pouco mais de 3,9 mil consorciados, 62,5% mais do que no mesmo período do ano passado.
Com relação a eletroeletrônicos, as vendas de novas cotas chegaram a 31,1 mil, um acréscimo de 10,6%. Já o total de participantes, ainda em razão da mudança de perfil do valor do crédito por cota, que atualmente são superiores ao passado, caiu 18,1%, para 189,3 mil.
Segurança e rentabilidade são os principais atrativos apontados pelos clientes de consórcio. O comerciante Oscar Miguel Simini, por exemplo, investe no ramo há mais de 20 anos e disse que nunca se arrependeu. Nesse período, ele foi contemplado com veículos quatro vezes e, atualmente, paga parcelas de duas motocicletas e dois carros. ''Procuro comprar planos em andamento para diminuir um pouco a taxa de administração'', confessou Simini que aplica cerca de R$ 800,00/mês nesse negócio.
De acordo com o empresário Amaury Tirapelli, investir no consórcio de carro é uma maneira de atualizar o patrimônio com mais economia. Na opinião dele, o financiamento de um móvel ou imóvel é mais caro do que um consórcio que oferece ainda a possibilidade do cliente reaver o dinheiro caso desista do produto. ''Acho que é mais vantajoso para o médio investidor que tem pouco dinheiro disponível e está mais sujeito à exorbitância dos juros'', completou.
O sargento José Rodrigues Reina Júnior espera meses adquirir sua casa própria através do consórcio. Para isso, ele está pagando uma prestação de R$ 525,00/mês há 19 meses, com juro de 2% a 5% ao ano. Há quatro anos, ele foi contemplado com um carro a exemplo do pai que já conseguiu até uma televisão de 29 polegadas pelo mesmo sistema. ''Com o dinheiro da carta de crédito posso optar ainda por comprar um terreno ou reformar um imóvel se tivesse'', explicou o militar que paga R$ 350,00 de aluguel. (Colaborou Betânia Rodrigues)

mockup