Diariamente milhares de pessoas saem às ruas em busca de uma ocupação profissional no Brasil. Boa parte acaba voltando para casa sem que a carteira seja assinada. Em Curitiba, por exemplo, diariamente, a Agência do Trabalhador recebe dezenas de pessoas em busca de uma colocação no mercado de trabalho. Entretanto, no local, também existe uma série de vagas de trabalho ociosas que deixam de ser ocupadas por excesso ou falta de qualificação profissional dos candidatos. Mensalmente, são oferecidas, em média, quatro mil vagas. Porém, são feitas apenas cerca de 1.100 colocações.
Em Londrina a situação não é diferente. Segundo o ex-presidente do Sine, Mauro Viecili, hoje presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel) são centenas de pessoas que poderiam estar numa situação melhor se tivessem uma qualificação profissional. ''Veja, hoje se nós tivéssemos na cidade dois mil jovens que falassem inglês e dominassem a linguagem Cobol, de computadores, todos eles estariam empregados'', diz Viecili.
O presidente da Idel está vivendo os dois lados da moeda. Até o ano passado ele dirigia um órgão que fornecia mão de obra para as empresas. Agora, à frente da Idel, além de ter como função trazer novas empresas e oferecer-lhes infra-estrutura, precisa também pensar em uma forma de supri-lás com mão de obra qualificada. ''Nós estamos transformando Londrina num pólo tecnológico e isto vai requerer mais e mais mão de obra técnica'', diz ele.
Segundo o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro o Brasil
''Nós precisamos encontrar uma forma de dar equilíbrio para estas demandas. Sabemos que todo jovem sonha e busca um diploma universitário, pois acredita que saindo da faculdade terá um emprego o aguardando. E não é assim. Além disso, hoje os salários da área técnica, em muitos casos, superam os salários oferecidos para quem tem diploma universitário. Uma secretária bilíngue, por exemplo, recebe de salário em Londrina em torno de R$ 2,5 mil em uma grande empresa. Um azulejista profissional, que tenha conhecimento técnico recebe bem mais do que isto'', comenta Ribeiro.
Segundo Mauro Viecili, os trabalhadores técnicos têm mais oportunidades no mercado de trabalho e melhores salários do que a maioria dos profissionais que saem das faculdades. ''É preciso repensar isto. Na Alemanha, por exemplo, além das disciplinas normais que os alunos têm no segundo grau, os estudantes também fazem cursos técnicos. Isto garante a eles renda, uma profissão e ainda supre a demanda do mercado'', avalia Viecili.
Mesmo na área de contabilidade o universitário encontra dificuldade ao ingressar no mercado de trabalho. ''O universitário vem com uma formação acadêmica que nem sempre é a rotina de trabalho dos escritórios ou das empresas. Isso acaba atrapalhando, pois é necessário um longo período de adaptação até que ele tenha o mesmo rendimento dos demais profissionais. Nós precisamos urgentemente encontrar uma solução. Do contrário aumentaremos ainda mais a quantidade de diplomados desempregados de um lado e de outro as empresas desesperadas procurando profissionais técnicos para suprir suas necessidades'', argumenta'', Ribeiro.

Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr

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