A montadora Audi/Volkswagem recorreu à Justiça para tentar por fim à greve dos metalúrgicos que já entra no terceiro dia. A empresa ingressou ontem no final da tarde com pedido de julgamento da legalidade da greve junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Curitiba. A empresa acredita que a sentença deve dar uma decisão final estabelecendo as concessões que devem ser fixadas durante a data-base. Em assembléia, realizada à tarde, os metalúrgicos decidiram pela continuidade do movimento.
A empresa decidiu recorrer à Justiça em consequência da falta de resultados na reunião realizada na Delegacia Regional do Trabalho no Paraná entre diretores do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e advogados da montadora Audi/Volkswagen. A expectativa era que funcionários e direção da empresa concluíssem a negociação do acordo coletivo de trabalho para o próximo ano.
O Sindicato dos Metalúrgicos acusa a empresa de não avançar nas contrapropostas. A Audi/Volkswagem alega inflexibilidade dos funcionários. Com isso, a empresa está deixando de produzir 500 carros por dia, entre veículos Golf e Audi A-3. Nos dois primeiros dias, mil carros deixaram de ser produzidos o que pode comprometer os contratos de exportação já firmados. ‘‘A empresa está avaliando isso’’, informou a assessoria.
Os 3,5 mil metalúrgicos entraram em greve por tempo indeterminado na segunda-feira. Os metalúrgicos exigem a incorporação nos salários de 8,44% que atualmente é pago em forma de remuneração variável. Essa já é a maior paralisação dos metalúrgicos da Audi no Paraná.
O reajuste de 6,44%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mais 10% de aumento real e redução de jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais foram aceitas em parte pela empresa. A Audi aceita conceder o reajuste pelo INPC e parte do aumento real. A jornada de trabalho pode ser reduzida de 44 horas para 43 horas até o final do ano e para 42 horas em 2001.
A Polícia Militar foi acionada mais uma vez ontem, mas não houve tumulto. Puderam trabalhar apenas 15 funcionários do setor executivo e outros 20 do setor estratégico. Esses últimos são responsáveis pela manutenção dos equipamentos de uso contínuo. A Polícia Militar foi acionada ontem para garantir a possibilidade de trabalho aos metalúrgicos que quisessem trabalhar. Como os funcionários mantiveram a greve, todos foram dispensados.