RIO - A Secretaria Municipal de Saúde de Niterói iniciou ontem uma auditoria no hospital Antônio Pedro, em Niterói, que é ligado à Universidade Federal Fluminense (UFF). A auditoria foi anunciada, sexta-feira, pelo secretário Gílson Cantarino, ao tomar conhecimento de que apenas uma criança havia morrido de uma infecção hospitalar que o hospital acreditava ser um surto que teria matado 11 bebês de seu berçário. A partir de hoje, a auditoria contará com o reforço de técnicos do Ministério da Saúde.
Segundo o chefe de gabinete da secretaria de saúde, José Carlos Monteiro, a comissão, que iniciou a inspeção ontem no Antônio Pedro, é multiprofissional e inclui médicos, enfermeiros, nutricionistas e epidemiologistas. Os trabalhos começaram pelo berçário. Isto, no entanto, não significa que os demais setores do hospital não passarão pelo crivo dos técnicos. ‘‘Vamos inspecionar cada canto do Antônio Pedro’’, disse Monteiro. O prazo final para a conclusão do laudo sobre as condições de funcionamento do hospital é de 45 dias.
Aos técnicos do ministério da saúde caberá não só a realização da auditoria médica, como também a auditoria contábil, para analisar o esquema de cobrança e os pagamentos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ao Antônio Pedro, um de seus conveniados. Monteiro garante que a auditoria não tem um caráter punitivo, e sim corretivo. ‘‘Vamos detectar os problemas que o hospital esteja apresentando e indicar soluções, estabelecendo um prazo para que as eventuais alterações sejam cumpridas’’, afirmou.
Numa inspeção da Vigilância Sanitária de Niterói, realizada no início do mês, apenas no berçário, foi detectada uma série de irregularidades, principalmente no que diz respeito à higiene do local. Alguns dos problemas constatados foram a presença de coletores de lixo destampados dentro do berçário e de garrafas térmicas e copos de café sobre a bancada de higienização, a ausência de exterminadores de agulhas e a presença de funcionários não uniformizados que lidavam com mais de uma criança sem lavar as mãos.
Apesar de insistentemente contactada, a direção do Antônio Pedro não soube informar se a transferência de bebês de seu berçário para o de outros hospitais fora realizada. Segundo o hospital, apenas o diretor-médico, Marco Antônio Gomes Andrade, poderia falar sobre o assunto e ele teria passado todo o dia ocupado com reuniões.

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