Diz uma máxima do meio contábil que ''o Brasil não é mais corrupto que os demais países, ele é mal auditado''. Há uma lógica evidente na frase. Os países onde os procedimentos administrativos, sejam eles em empresas públicas ou privadas, são constantemente auditados por especialistas independentes, correm menos riscos de sofrer com a corrupção, desvios ou fraudes.
Além da questão criminal em si, a corrupção provoca um aumento gigantesco no custo Brasil. Uma pesquisa divulgada em fevereiro pela International Budget Partneship (IBP) mostra que o Brasil é o país da América Latina com maior transparência na aplicação do orçamento público. Mesmo assim o mesmo IBP mostra que o país perde anualmente R$ 9,6 bilhões por conta da corrupção. É uma cifra assustadora.
O professor de Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Londrina, Claudenir Tarifa Lembi, diz que as constantes denúncias de fraudes contábeis em empresas e, principalmente, na administração pública, vêm preocupando os estudantes da graduação. ''A questão é a conduta ética dos profissionais. Todos os dias vemos matérias que falam sobre corrupção, licitações fraudulentas, contas reprovadas por tribunais de Contas do Estado ou da União. Os alunos ficam preocupados porque aprendem o correto na escola mas percebem que lá fora muita gente anda fazendo tudo errado'', diz Lembi. Segundo ele, já está até surgindo espontaneamente uma espécie de movimento pela ética na profissão.
A estudante do terceiro ano de Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Londrina, Luciene Cristina Costa Barion, se diz muito preocupada com a situação, principalmente pela responsabilidade do contador em todo o processo. Com a mudança do Código Civil, o contador responde civil e criminalmente perante a Justiça se houver problemas na contabilidade das empresas para as quais presta serviços. Por isso, é preciso trabalhar com ética. ''A contabilidade é unicamente números. 1 mais 1 são dois, não são três. Se for contabilizado três está errado e 1 foi para o bolso de alguém''.
Segundo o perito e auditor Moacyr Boer, de Londrina, o objetivo das auditorias não visa exatamente procurar fraudes nas empresas, mas atestar a veracidade dos balanços e para isso é necessário verificar documentos, rotinas internas, demonstrações contábeis e procedimentos internos já instalados. ''Não é a meta procurar fraudes, mas quando você verifica tudo, se houver algo errado, é detectado'', diz Boer. Numa empresa muito grande ou na administração pública, segundo ele, é óbvio que não é possível auditar tudo. ''O que fazemos é por amostragem. Com a experiência que temos, sabemos quais os departamentos e setores que proporcionam mais oportunidades para equívocos'', diz.
Para Boer os setores de licitações e compras estão entre os mais problemáticos. ''Ocorre superfaturamento, acordo entre licitantes; às vezes a empresa vencedora apresenta um preço muito abaixo das outras e logo depois de vencer, pede aditivos que podem chegar até a 20%. Serviços são contratados e não são executados''. Segundo ele, há diversas formas de fraudar a administração pública. Por isso é tão importante a auditoria independente. ''Auditorias precisam ser feitas permanentemente para evitar desvios de recursos públicos'', alerta Boer.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-LDr

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