As construtoras tentam esconder em seus balanços o fracasso da operação de lançamento de debêntures. Prova disso são os pareceres dos auditores independentes encaminhados para a Comissão de Valores Imobiliários (CVM). Eles analisaram os dados e números sem fazer qualquer ressalva de que as debêntures representarão um prejuízo para as construtoras, caso não haja um acordo com os fundos de pensão. O auditor Jordão André Pesch, que assina algumas relatórios da Irmãos Thá e da Casa Construção, não faz qualquer adendo. A BDO Directa Auditores S/C também emite um parecer sobre o empreendimento Hyde Park, da Casa Construção e a Trevisan Auditores Independentes, de outro imóvel da Irmãos Thá, sem fazer as ressalvas.
Em um dos casos, da construção do empreendimento Porthal do Lago, pela Irmãos Thá, o auditor diz que em agosto foi detectado um aumento do passivo a descoberto, que vem aumentando. Mas afirma que a ‘‘reversão desse quadro está condicionada à realização de lucro na venda da área referente ao shopping center do empreendimento, bem como de suporte financeiro da controladora Irmãos Thᒒ. O prejuízo, segundo o balanço de setembro é de R$ 4,3 milhões.
A BDO diz no relatório do Hyde Park que ‘‘é inexorável que a liquidação das 3,8 mil debêntures remanescentes têm de ser reanalisada e revista para patamares aonde venha prevalecer o equilíbrio financeiro da sociedade’’. O prejuízo acumulado é de R$ 3,6 milhões, conforme balanço em setembro deste ano.
As construtoras Nave, Irmãos Thá, Cidadela, Casa Construção e Galvão formaram uma empresa de propósito especial para construir cada imóvel. Mas elas são as avalistas de toda a operação e por isso, caberá a elas assumir todos os ônus da operação com as debêntures.(C.M.).

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