Auditoria é remédio contra as fraudes
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sexta-feira, 08 de setembro de 2006
Da Redação 
Toda a semana a Polícia e a Receita Federal descobrem quadrilhas envolvidas em fraude à Previdência, superfaturamento de compras ou obras do governo, desvio de dinheiro e tantos outros crimes. Em boa parte dos casos há alguém de dentro da administração do governo participando das quadrilhas e facilitando o crime.
Segundo o economista e mestre em administração de empresas pela universidade americana Harvard Business School, Stephen Kanitz, boa parte desses crimes acontecem porque o governo não realiza com a frequência necessária ações de auditoria em seus procedimentos. ''Não existem empresas sem falhas, existem empresas bem ou mal auditadas e ou mal controladas'', comenta Kanitz.
Em quase todas as empresas, seja ela uma micro ou megaempresa, independente de ela ser pública ou privada, existem desperdícios, desvios e, muitas vezes, corrupção. O mais importante é estabelecer mecanismos para que isto seja na menor quantidade possível.
O advogado e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Moacyr Bôer, auditor há mais de 30 anos, diz que uma auditoria eficaz consegue reduzir muito os desvios e a corrupção no poder público. ''A auditoria tem um caráter preventivo, como não é possível auditar tudo ela é feita por amostragem. Uma auditoria nunca será 100%, mas chega próximo a isso'', explica Bôer, que foi auditor da UEL nas administrações dos reitores Marco Antonio Fiori e José Carlos Thompsom.
Segundo Moacyr Bôer ainda não existe uma cultura de auditoria no Brasil como ocorre em outros países como os Estados Unidos, por exemplo. Nos EUA as pessoas investem muito em bolsas de valores e os acionistas, desde os minoritários, têm interesse que as empresas nas quais estão investindo sejam auditadas, pois consideram imprescindível a conferência da saúde financeira das empresas.
Segundo Bôer a prática da auditoria chegou ao Brasil pelas mãos das multinacionais que começaram a investir aqui depois da Segunda Guerra Mundial. Ainda não é uma prática comum, mas a sociedade vem descobrindo os benefícios da auditoria, fato este é a exposição da corrupção pública da gestão de vários prefeitos, que começa desde a maior cidade da América Latina, São Paulo, e finda nas pequenas cidades do interior. Mas há muito o que avançar nesta área.
''O auditor da prefeitura ou do governo, por exemplo, é um cargo preenchido por indicação política. Como é que pode fazer um bom trabalho, contrariar interesses?'', diz Bôer.
O presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Auditoria, Perícias e Contabilidade (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro, diz que se as auditorias no setor público fossem feitas sem interferência política ''seria cada enxadada um balde de minhoca''. ''As auditorias são essenciais para que a corrupção seja reduzida. Mas elas precisam ser realizadas com independência e não podem se perder nos interesses políticos ou coorporativos. A auditoria é uma ferramenta imprescindível para limpar a administração pública'', esclarece Ribeiro.


