Auditores fiscais analisam fim da greve
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de julho de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As medidas provisórias que determinaram reajustes salariais a funcionários públicos federais, publicadas em edição extra do Diário Oficial da União na última sexta-feira, podem influenciar na greve promovida pelos auditores fiscais da Receita Federal desde 2 de maio. Na próxima quinta-feira, 71 delegacias do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) organizam assembléias que definirão sobre a continuidade da greve.
Ontem e hoje cerca de 250 auditores fiscais também estarão reunidos em Brasília discutindo o alcance das medidas provisórias. O resultado da discussão será levado às assembléias. O objetivo principal da greve é a reivindicação de reajustes salariais para ativos e inativos. O salário inicial de um auditor fiscal é R$ 5.976,87.
No Paraná, de acordo com o secretário geral da delegacia sindical de Curitiba do Unafisco, Jelmires José Galindo, são mais de 500 auditores fiscais, 262 em Curitiba e cerca de 60 em Londrina. Apenas 30% dos auditores fiscais estariam trabalhando, e devido a uma liminar do dia 18 de maio que obrigou o funcionamento de parte dos serviços.
Mas de acordo com o inspetor da Receita Federal em Curitiba, Arlindo Luiz Guerro, até agora mais de 200 liminares de empresas foram expedidas para que ocorresse a liberação de cargas no Aeroporto Internacional Afonso Pena e nos dois portos secos de Curitiba. Guerro estima que, apesar da greve, mais de 80% das cargas nos três locais estão sendo liberadas.
Balança - A greve nacional dos auditores fiscais exerceu pouca influência negativa sobre o superávit da balança comercial, que em junho, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, somou US$ 4,082 bilhões. A afirmação é do presidente nacional do Sindicato dos Auditores Fiscais (Unafisco), Carlos André Nogueira.
O resultado superou em 34,8% os US$ 3,028 bilhões registrados em maio e ficou acima do teto das projeções dos analistas do mercado, que era de US$ 3,5 bilhões. Para o analista de comércio exterior Guilherme Loureiro, da Tendências Consultoria Integrada, o superávit da balança em junho surpreende pelo fato de resultar da previsão de um modelo sem greve.
De acordo com o presidente da Unafisco, a greve dos auditores não explica sozinha a queda do superávit da balança há algumas semanas como também não justifica o retorno. A greve tem um impacto muito limitado sobre o resultado da balança comercial, define Nogueira, acrescentando que 85% de todas as exportações e importações feitas pelo País são desembaraçadas sem qualquer tipo de fiscalização, contam com o benefício do instrumento conhecido no meio como canal verde.
De acordo com Nogueira, o que passa pelo crivo dos auditores fiscais é apenas 15% a 20% do volume nacional de comércio exterior e que, em algumas regiões, este porcentual é até menor. E não tínhamos mesmo nenhuma intenção de prejudicar ninguém com a nossa greve. O que queríamos era a criação de uma tabela de plano de carreira, diz o presidente da Unafisco. (Com AE)


