Audiência reabre debate sobre dissídio do comércio
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Representantes dos sindicatos patronais e dos empregados do comércio de Londrina participarão às 9h de amanhã de duas audiências para negociar a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, na sede do Ministério do Trabalho da cidade. O objetivo é avançar na negociação sobre o reajuste salarial anual e sobre a abertura de lojas aos sábados. O acordo entre as entidades venceu no último dia 30 de junho, o que impediu que a grande maioria dos estabelecimentos abrisse as portas no terceiro sábado de julho e de agosto, conforme previsto pelo documento.
O Sindicato dos Empregados do Comércio de Londrina (Sindecolon) pede reajuste de 12,69% sobre o piso, hoje em R$ 823. Como contraproposta, o Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região (Sincoval) ofereceu 7,16%, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e apenas aceita negociar caso entre na pauta a abertura de lojas nas tardes de todos os sábados.
Vice-presidente do Sindecolon, Manoel Teodoro da Silva afirma que não acredita em acordo já amanhã, mas que busca apressar a decisão com a intermediação do Ministério do Trabalho. "Precisamos cumprir todas as etapas para entrar com pedido de dissídio na Justiça, se for necessário", conta. Ele lembra que a proposta inicial do sindicato era de reajuste de 15% e que já houve redução no pedido.
Do outro lado da mesa, o advogado do Sincoval, Ed Nogueira de Azevedo Junior, diz que a entidade patronal recebeu o ofício para a audiência apenas com a especificação de que há dificuldade para o acordo. Ele diz que foi feita contraproposta ao Sindecolon, mas que não houve resposta. "O que continuaremos pedindo é que se regulamente o trabalho em todos os sábados à tarde em convenção coletiva", diz. Se isso ocorrer, afirma, a oferta de reajuste pode ser maior.
Para Azevedo, o problema é que o sindicato dos empregados não aceita tal possibilidade. Ele entende que lojas de rua deveriam ter as mesmas possibilidades dadas aos shoppings centers e aos supermercados. "Não estamos debatendo a carga horária do trabalhador, porque isso é definido por lei, com 44 horas semanais e mais duas horas extras no máximo por dia. Queremos ter o direito de abrir as portas e trabalhar."
Duelo
O acordo para abertura de lojas na tarde do terceiro sábado de cada mês foi anunciado em fevereiro, pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Com as negociações salariais emperradas e o vencimento da convenção da categoria, a mudança durou até junho. No mês seguinte, o Sindecolon ameaçou denunciar lojistas que abrissem no terceiro sábado ao Ministério do Trabalho, o que poderia resultar em multas.
Apesar de o Sincoval orientar associados a funcionar normalmente porque a convenção seria prorrogada automaticamente até assinatura de uma nova, a maioria não se arriscou em julho e agosto. Apenas os que fizeram acordo individualmente com o Sindecolon abriram, mas o movimento nas ruas foi pequeno.
Seguiram-se acusações de ambos os lados. O sindicato de trabalhadores divulgou que a entidade patronal ofereceu redução salarial e pagamento de piso abaixo do mínimo. O Sincoval informou que o Sindecolon apresentou pedido de reajuste de 82%. "Esperamos que não ocorra como no ano passado, quando o acordo precisou ser assinado na frente do juiz e depois de 14 rodadas de negociação", diz o advogado do Sincoval.


