Audiência pública vai discutir problemas da cadeia do leite
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quinta-feira, 11 de outubro de 2001
Denise Angelo<br> De Ponta Grossa 
Os produtores de leite da Região dos Campos Gerais participarão de uma audiência pública com deputados federais da bancada ruralista no próximo dia 25 de outubro, para discutir os problemas que a cadeia do leite vem enfrentando.
No Paraná, em pouco mais de um mês o preço do leite caiu de R$ 0,39 para R$ 0,27, valor que não chega a pagar o custo de produção, que gira em torno de R$ 0,30, tendo em vista as exigências feitas pelas cooperativas paranaenses, especialmente da Região dos Campos Gerais, para manter a alta qualidade do leite.
O deputado federal Abelardo Lupion comandou a reunião de produtores que decidiu pela realização da audiência, da qual devem participar representantes da indústria e das cooperativas, além dos produtores. Uma audiência semelhante a que acontecerá em Ponta Grossa foi realizada em Brasília e reuniu produtores de Goiás e representantes das indústrias que compram leite na região. O resultado é que a Nestlé, por exemplo, já aumentou o preço que vinha pagando aos produtores, segundo informações de Lupion.
Os principais problemas que serão levados à audiência pelos produtores são os baixos preços, falta de fiscalização na qualidade do produto, que acaba penalizando o produtor que oferece leite de qualidade, a cobrança de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que hoje no Paraná é de 12% sobre o leite e falta de políticas de incentivo ao consumo do produto.
''Se o preço do leite não subir os produtores de leite deixarão a atividade'', disse a produtora Jussara Bittencourt. Ela conta que está vendendo os animais mais velhos para o abate como forma de conseguir se manter na atividade. Mas em três meses não terei mais rebanho para mandar para o abate, reclama.
Jussara conta ainda que quando começou a produzir leite, em junho de 1994, com o valor de dois litros de leite era possível comprar um litro de combustível.
''Hoje é preciso sete litros de leite para um de combustível'', compara. Outra reclamação é quanto ao preço da ração. ''Em 1995 recebíamos R$ 0,26 por litro de leite e pagávamos R$ 0,13 pelo quilo da ração. Hoje recebemos R$ 0,27 pelo leite e pagamos R$ 0,26 pela ração'', conta o produtor Herbert Wickbold Filho, que está na atividade há 27 anos.
Os produtores também reclamam do programa Pró-Leite, implementado pelo governo federal no início do ano e que ofereceu linhas de crédito com juros de 8,75% para pagamento do empréstimo em 36 parcelas. ôMuitos produtores aderiram ao Pró-Leite, compraram resfriadores e agora não têm para quem vender o produto", desabafou Jussara. ôSerá que em seis meses esse programa conseguiu aumentar tanto a produção de leite no País inteiro para o preço cair assim", questiona.
Os produtores querem ainda uma ampla investigação sobre a ação das indústrias multinacionais que estão atuando no Paraná. Há suspeitas de triangulação do leite em pó, que vem da Europa e entraria no Brasil pela Argentina a preços bastante baixos, já que na Europa e na Argentina existem subsídios para a produção.


