Os produtores de leite da Região dos Campos Gerais participarão de uma audiência pública com deputados federais da bancada ruralista no próximo dia 25 de outubro, para discutir os problemas que a cadeia do leite vem enfrentando.
No Paraná, em pouco mais de um mês o preço do leite caiu de R$ 0,39 para R$ 0,27, valor que não chega a pagar o custo de produção, que gira em torno de R$ 0,30, tendo em vista as exigências feitas pelas cooperativas paranaenses, especialmente da Região dos Campos Gerais, para manter a alta qualidade do leite.
O deputado federal Abelardo Lupion comandou a reunião de produtores que decidiu pela realização da audiência, da qual devem participar representantes da indústria e das cooperativas, além dos produtores. Uma audiência semelhante a que acontecerá em Ponta Grossa foi realizada em Brasília e reuniu produtores de Goiás e representantes das indústrias que compram leite na região. O resultado é que a Nestlé, por exemplo, já aumentou o preço que vinha pagando aos produtores, segundo informações de Lupion.
Os principais problemas que serão levados à audiência pelos produtores são os baixos preços, falta de fiscalização na qualidade do produto, que acaba penalizando o produtor que oferece leite de qualidade, a cobrança de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que hoje no Paraná é de 12% sobre o leite e falta de políticas de incentivo ao consumo do produto.
''Se o preço do leite não subir os produtores de leite deixarão a atividade'', disse a produtora Jussara Bittencourt. Ela conta que está vendendo os animais mais velhos para o abate como forma de conseguir se manter na atividade. Mas em três meses não terei mais rebanho para mandar para o abate, reclama.
Jussara conta ainda que quando começou a produzir leite, em junho de 1994, com o valor de dois litros de leite era possível comprar um litro de combustível.
''Hoje é preciso sete litros de leite para um de combustível'', compara. Outra reclamação é quanto ao preço da ração. ''Em 1995 recebíamos R$ 0,26 por litro de leite e pagávamos R$ 0,13 pelo quilo da ração. Hoje recebemos R$ 0,27 pelo leite e pagamos R$ 0,26 pela ração'', conta o produtor Herbert Wickbold Filho, que está na atividade há 27 anos.
Os produtores também reclamam do programa Pró-Leite, implementado pelo governo federal no início do ano e que ofereceu linhas de crédito com juros de 8,75% para pagamento do empréstimo em 36 parcelas. ôMuitos produtores aderiram ao Pró-Leite, compraram resfriadores e agora não têm para quem vender o produto", desabafou Jussara. ôSerá que em seis meses esse programa conseguiu aumentar tanto a produção de leite no País inteiro para o preço cair assim", questiona.
Os produtores querem ainda uma ampla investigação sobre a ação das indústrias multinacionais que estão atuando no Paraná. Há suspeitas de triangulação do leite em pó, que vem da Europa e entraria no Brasil pela Argentina a preços bastante baixos, já que na Europa e na Argentina existem subsídios para a produção.

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