Audiência pública discute proibição do amianto
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério Público do Paraná (MPE) realizam, no próximo dia 19, uma audiência pública no Plenário da Assembleia Legislativa para discutir um projeto de lei que pretende proibir o amianto crisotila no Paraná. As duas instituições fazem parte da Comissão Interinstitucional pelo Banimento do Amianto no Estado e iniciaram uma campanha contra este componente.
De acordo com informações do MPT, a exposição ao amianto, fibra mineral usada principalmente em telhas, traz sérios riscos à saúde, podendo causar câncer. O médico do trabalho do MPT, Elver Moronte, destacou que o assunto já vem sendo discutido há muito tempo pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e apontado pelo Instituto Internacional de Pesquisas sobre o Câncer, como causador da doença.
Segundo ele, em 2006, a OMS divulgou um documento dizendo que todos os tipos de amianto causam câncer. Ele destacou que não existe um limite de exposição seguro, apenas o índice zero seria garantido. ''E isso não é possível na mina, no beneficiamento, transporte e industrialização'', disse. Hoje, o produto é proibido em 52 países.
A presidente executiva do Instituto Brasileiro de Crisotila, Marina Júlia de Aquino, esclareceu que, a partir da década de 1980, os fabricantes desenvolveram métodos de uso seguro do amianto nas mineradoras e na produção industrial. Segundo ela, os equipamentos são vedados para não permitir a saída de fibras. Explicou ainda que é feito o controle do ar o tempo todo nas fábricas e informou que a legislação permite 2,0 fibras por cm3, mas as indústrias trabalham com um limite máximo de 0,1 fibra por cm3. Ao contrário do que aponta o MPT, ela disse que depois da década de 1980 não houve mais nenhum caso de adoecimento.
Marina destacou que há um acordo nacional de trabalho para o uso do amianto há 20 anos e que é renovado a cada dois anos. ''O Brasil está em um boom de construção e ninguém pensou no desabastecimento que a proibição pode causar. Hoje, mais de 60% dos telhados instalados no País são de amianto'', disse. Segundo ela, há uma briga econômica porque o amianto é 40% mais barato que o polipropileno, material que poderia ser usado como alternativa.
Segundo Moronte, as principais vítimas são os profissionais que trabalham na produção de itens que contêm este material. A exposição indireta - como contato dos familiares com roupas e objetos dos trabalhadores contaminados, morar nas proximidades de minerações ou em áreas contaminadas e frequentar ambientes onde existam depósitos ou descarte de produtos que contenham amianto - também traz riscos. Além disso, ele destacou que a manutenção das telhas com o corte e lixamento, podem facilitar a aspiração das fibras.
A FOLHA procurou representantes do setor de construção civil mas até o fechamento da edição não houve nenhum retorno.



