A discussão sobre a privatização da Copel reuniu ontem na Câmara Municipal de Londrina, em audiência pública, sindicalistas, deputados federais e estaduais, vereadores e representantes de entidades de classe. O assunto não despertou o interesse da população em geral. As galerias da Câmara ficaram praticamente vazias.
Ao final do encontro, ficou decidido pelo lançamento de um abaixo-assinado para apoiar as propostas dos deputados estaduais Orlando Pessuti, para revogar a lei que autoriza a venda das ações da empresa, e de José Maria Ferreira, que defende a realização de um plebiscito para consultar a população sobre a privatização.
Também ficou decidido, entre outras coisas, pela organização de uma rede estadual de informações para a criação de um Fórum Permanente de Debates sobre o tema; encaminhamento de requerimentos à Assembléia Legislativa para solicitar cópias de atas das sessões ordinárias, projetos de lei, pareceres das comissões permanentes, leis e publicações que autorizam a venda das ações da Copel e Sanepar; e encaminhamento de requerimento ao governo do Estado, solicitando cópias do processo licitatório para avaliar o valor de venda da Copel.
O vice-presidente da Sercomtel – empresa de telecomunicações de Londrina – Paulo César Machado, representou o presidente da Copel, Ingo Hubert, no encontro. Um dos argumentos de Machado na defesa da privatização foi a desregulamentação do setor de energia elétrica, prevista para estar concluído em três anos. Com a desregulamentação, segundo ele, a tendência é que as tarifas de energia sejam reduzidas, a exemplo do que está ocorrendo com a telefonia. Ele ainda defendeu que esse é o melhor momento para as vendas, com a empresa no auge de seu desempenho.
Os argumentos de Machado não convenceram os demais participantes. ‘‘Estamos às vesperas de uma eleição para o governo de Estado e para a presidência da República. Isso gera insegurança para qualquer empreendedor e desvaloriza a empresa’’, comentou o deputado federal Florisvaldo Fier (Dr. Rosinha).
O diretor da Federação Nacional dos Urbanitários José Drumond Saraiva disse que desde 92 está havendo um acelerado processo de privatização do setor elétrico no Brasil. ‘‘E até agora não vimos nenhum benefício para a população ou redução de tarifa’’, avaliou.
Segundo Saraiva, as agências reguladoras estaduais não fiscalizam e nem regulam o setor. ‘‘São agências de ficção, só estão no papel e só servem como cabide de emprego’’, sustenta.

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