Audiência não atrai a população
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2001
Benê Bianchi De Londrina 
A discussão sobre a privatização da Copel reuniu ontem na Câmara Municipal de Londrina, em audiência pública, sindicalistas, deputados federais e estaduais, vereadores e representantes de entidades de classe. O assunto não despertou o interesse da população em geral. As galerias da Câmara ficaram praticamente vazias.
Ao final do encontro, ficou decidido pelo lançamento de um abaixo-assinado para apoiar as propostas dos deputados estaduais Orlando Pessuti, para revogar a lei que autoriza a venda das ações da empresa, e de José Maria Ferreira, que defende a realização de um plebiscito para consultar a população sobre a privatização.
Também ficou decidido, entre outras coisas, pela organização de uma rede estadual de informações para a criação de um Fórum Permanente de Debates sobre o tema; encaminhamento de requerimentos à Assembléia Legislativa para solicitar cópias de atas das sessões ordinárias, projetos de lei, pareceres das comissões permanentes, leis e publicações que autorizam a venda das ações da Copel e Sanepar; e encaminhamento de requerimento ao governo do Estado, solicitando cópias do processo licitatório para avaliar o valor de venda da Copel.
O vice-presidente da Sercomtel empresa de telecomunicações de Londrina Paulo César Machado, representou o presidente da Copel, Ingo Hubert, no encontro. Um dos argumentos de Machado na defesa da privatização foi a desregulamentação do setor de energia elétrica, prevista para estar concluído em três anos. Com a desregulamentação, segundo ele, a tendência é que as tarifas de energia sejam reduzidas, a exemplo do que está ocorrendo com a telefonia. Ele ainda defendeu que esse é o melhor momento para as vendas, com a empresa no auge de seu desempenho.
Os argumentos de Machado não convenceram os demais participantes. Estamos às vesperas de uma eleição para o governo de Estado e para a presidência da República. Isso gera insegurança para qualquer empreendedor e desvaloriza a empresa, comentou o deputado federal Florisvaldo Fier (Dr. Rosinha).
O diretor da Federação Nacional dos Urbanitários José Drumond Saraiva disse que desde 92 está havendo um acelerado processo de privatização do setor elétrico no Brasil. E até agora não vimos nenhum benefício para a população ou redução de tarifa, avaliou.
Segundo Saraiva, as agências reguladoras estaduais não fiscalizam e nem regulam o setor. São agências de ficção, só estão no papel e só servem como cabide de emprego, sustenta.


