Audiência com ministro discute aftosa no PR
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domingo, 18 de dezembro de 2005
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Nesta terça-feira, a ''crise da aftosa'' instalada no Paraná volta ao centro das discussões. Desta vez, o assunto será debatido entre os membros da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal e o ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A audiência está agendada para às 14 horas, no gabinete do ministro. No encontro, será proposta a criação de uma comissão técnica para investigar o foco da doença no Estado.
Essa equipe seria formada por técnicos ligados a órgãos públicos e privados. Segundo o presidente da comissão Abelardo Lupion (PFL/PR) o foco desta comissão será ''descobrir a verdade sobre a existência de aftosa no Paraná''. Se a instalação desta comissão for aceita pelo ministro, será definido um termo de conduta que, desta vez, terá acompanhamento da comissão. No final de novembro, já havia sido acertada uma agenda positiva entre o Mapa e a Seab. No entanto, o ministério não teria cumprido o compromisso.
Pela proposta da comissão, a equipe visitaria as fazendas interditadas pelo ministério. Das 15 propriedades (4 interditadas, 10 em observação e 1 com confirmação de foco), os deputados definiram seis para receber a visita dos técnicos. Essas fazendas estão nos seguintes municípios: São Sebastião da Amoreira, onde foi confirmado o foco da doença; Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá (onde estão as 4 propriedades interditadas) e Bela Vista do Paraíso, onde ficaram os animas que foram trazidos do Mato Grosso do Sul e comercializados no leilão em Londrina.
''As demais propriedades foram excluídas porque os exames não apontaram nada'', informou Lupion. No termo de conduta, também serão exigidas contra-provas de todos os exames realizados nas seis propriedades. ''Não iremos admitir qualquer matança sem contra-provas. Mas acredito no bom senso do ministro e na instalação desta comissão. Não iremos aceitar jogar nada para baixo do tapete'', disse. Segundo ele, até sexta-feira o Mapa não teria enviado nenhum técnico ao Paraná para examinar os bovinos.
Depois da audiência de terça-feira, os deputados deverão concluir o relatório sobre a confirmação do foco de aftosa no Estado. Nesta semana, foram realizadas duas audiências públicas - uma em Brasília e a outra em Curitiba - da qual participaram técnicos do ministério, da Seab e de instituições do Paraná. Nas duas ocasiões, não houve consenso entre eles. O ponto da discórdia é a interpretação dos exames. A confirmação do foco foi baseada na origem dos animais e em exames de sorologia, que não são considerados conclusivos pelos técnicos paranaenses.
Dependendo da conclusão dos deputados e se o relatório for aprovado pela Câmara, o documento tem poder para mudar a atitude do Mapa e, consequentemente, alterar a confirmação de que o Paraná não é mais um Estado livre de aftosa com vacinação.


