Curitiba - Os metalúrgicos da Audi-Volkswagen não entraram em acordo com a montadora durante audiência de conciliação promovida ontem no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Curitiba. Nova audiência foi marcada para hoje à tarde. Se não houver acordo novamente, o TRT vai marcar data para julgamento da greve. Diante do impasse, os metalúrgicos entram hoje no terceiro dia de paralisação. A montadora deixou de produzir 800 carros até ontem.
O Sindicato dos Metalúrgicos foi convocado pelo TRT duas horas antes de iniciar a audiência e a diretoria não teve tempo de preparar a defesa na audiência. Por isso não houve julgamento, informou o sindicato. O acordo não saiu porque a empresa não avançou em nada sua proposta já apresentada aos trabalhadores, informou o sindicalista Jamil D'Avila, da Comissão de Fábrica.
Os metalúrgicos pararam a produção para exigir a ampliação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), de R$ 2,7 mil para R$ 3,2 mil, o fim do banco de horas e a retomada de benefícios sociais cancelados no início do ano. A empresa está oferecendo R$ 2,7 mil atrelado ao banco de horas.
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, a greve na Audi-Volks já está paralisando cerca de 5 mil trabalhadores. Para D'Avila, está havendo um efeito dominó. ''Essa greve está custando muito caro para a empresa'', afirmou. É que além dos 2,5 mil trabalhadores da montadora, as fábricas do Parque Industrial de Curitiba, fornecedora de peças para a Audi-Volks começam a parar a produção e seus funcionários também estão cruzando os braços.
Cerca de dez empresas estão dentro do Parque Industrial de Curitiba, que funciona na Volks, trabalhando no sistema ''just in time'', que abastecem à montadora na linha de montagem, na hora que precisa. Na falta de atividade nas linhas de montagem, as empresas não têm como estocar a produção e param também, explicou o sindicalista Jamil D'Avila, da Comissão de Fábrica.
As plantas da montadora em São Carlos (SP) - fornecedora de motores - e de Córdoba, na Argentina - que fornece caixas de câmbio - também estão com a produção afetada pela paralisação da fábrica de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

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