Audi-VW investe US$ 4,5 mi em treinamento de pessoal
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segunda-feira, 28 de dezembro de 1998
Vânia Casado 
A Audi/Volkswagem investiu US$ 4,5 milhões, em 1998, no treinamento dos 750 funcionários admitidos até novembro. Desse total, a empresa já enviou 275 funcionários para um treinamento especial na Alemanha. Muitos permaneceram na Europa por um período de três meses onde passaram por todas as fases da linha de montagem. O investimento em recursos humanos faz parte da política adotada pela montadora que quer se destacar no mercado pela qualidade de seus produtos, justificou o diretor de Recursos Humanos, Adilson Zanoni.
A Audi vai fabricar em São José dos Pinhais , a partir de 18 de janeiro quando será inaugurada, os modelos Golf e Audi, atualmente importados. O modelo compacto Audi A-3 começa a ser produzido em fevereiro e o Golf, a partir de maio de 99. A montadora espera fechar o ano com 800 funcionários contratados, entre os que vão trabalhar na linha operacional até os executivos. Segundo Zanoni, a capacitação dos funcionários é prioridade para a empresa que pretende investir neste setor US$ 17 milhões até o ano 2000. Os funcionários contratados até novembro já tiveram, em média, 619 horas de treinamento cada um, o que significa uma média altíssima tanto fora do país como aqui, observou.
Os funcionários que estão sendo enviados para a Alemanha, são preparados para repassar os conhecimentos adquiridos para os demais colegas. No estágio de três meses, eles cumprem um programa básico que é o ensino do idioma. Em seguida vão para a linha de montagem do Audi, primeiro acompanhando e depois participando do processo produtivo onde eles irão aprender fazendo. Esses funcionários que foram para a Alemanha já estão montando os mesmos modelos aqui, disse. Os funcionários que permaneceram no Paraná foram enviados para outras fábricas do grupo, em São Paulo. Outros estão sendo treinados, desde fevereiro, no Centro de Treinamento da fábrica, em Campo Largo da Roseira em São José dos Pinhais.
A Audi-Volkswagem firmou ainda parcerias com o Senai e universidades para o treinamento operacional complementar e nas várias áreas que a empresa necessita como logística e finanças. Com um treinamento intensivo, os funcionários estarão capacitados a executar um trabalho de alto nível que vai resultar na qualidade dos veículos, ressaltou.
Uma novidade, do setor de recursos humanos, que a Audi-Volkswagem está introduzindo no Paraná é o regime mensalista, ao contrário das montadoras, principalmente as instaladas em São Paulo, que trabalham sob o regime de horas. Na Audi, tanto os funcionários administrativos como os operacionais serão mensalistas. Outra novidade é que o cartão-ponto foi descartado para todos os funcionários. O controle de acesso será eletrônico para todos sem discriminação.
A decisão de investir em capacitação decorre da necessidade de que os modelos que serão fabricados aqui terão o mesmo padrão de qualidade dos carros produzidos na Alemanha. Segundo Zanoni, a Audi não quer que haja distinção entre os consumidores dos carros fabricados aqui e dos fabricados na Alemanha. A empresa não quer ter produtos que sejam alvo de reclamação e de insatisfação dos clientes, destacou. A empresa quer manter o padrão de qualidade que faz com que a Volkswagem seja a montadora com menor número de reclamações.
Zanoni acredita que até 2001 a empresa estará produzindo com plena capacidade, sendo que neste período a prioridade é o investimento em capacitação. Quando atingir o objetivo de produzir 700 carros por dia, serão instalados três turnos de trabalho, de segunda a sábado.
Por enquanto, a empresa ainda não está preocupada em iniciar as atividades fabricando um determinado número de veículos. Como a preocupação é com a qualidade, poderá ser produzido até um carro por dia, de início, desde que ele seja acabado conforme os rígidos padrões de qualidade que serão impostos. O carro tem que estar 100% em ordem, afirmou.
Para isso todos os pontos do carro serão devidamente testados. O motor deverá atingir um limite de 100.000 quilômetros rodados na fase de teste para checar a força motriz e o câmbio, explicou Zanoni. Segundo ele, todas as peças são avaliadas para os diferentes tipos de estradas. Em função de todos estes detalhes que exigem conhecimento é que o processo de seleção de funcionários é rigoroso, justificou.


