O presidente mundial da montadora alemã Audi, Rupert Stadler, anunciou ontem o investimento de 150 milhões de euros (R$ 453 milhões) na ampliação da fábrica da Volkswagen, marca parceira, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RML). Após reunião com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, o executivo disse que passarão a ser produzidos os modelos A3 Sedan e o Q3, um dos utilitários da empresa.
Com a produção nacional, a Audi pretende chegar à liderança nas vendas de automóveis de luxo até 2020 e se beneficiar do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto). A principal vantagem é a desoneração em até 30% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos que usem peças nacionais e para empresas que estimulem pesquisas e desenvolvimento no País.
Na nova unidade na RML serão criados 300 empregos, com meta de, em 2018, produzir 26 mil veículos e expectativa de vender 30 mil unidades ao ano no País. A montadora produzirá o A3 Sedan a partir de 2015 e o Q3 no ano seguinte, ambos carros com preços superiores a R$ 90 mil. Stadler anunciou ainda que pretende dobrar a rede de concessionárias da marca em território nacional no período. "Ao produzir no Brasil, iremos criar a base para um crescimento maior na região", disse.
Entre janeiro e agosto deste ano, a Audi ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de veículos vendidos, com 1,03 milhão de carros comercializados no mundo, ou 7,2% a mais do que no ano anterior. O objetivo é vender 2 milhões de unidades por ano até 2020. "Apesar do mercado de luxo ser ainda pequeno no Brasil, a expectativa é que ele cresça 170% até 2020", afirmou Stadler.
O vice-presidente mundial de compras da Audi, Bernd Martens, informou ontem que entre 30% e 35% do conteúdo dos veículos será de peças nacionais. "Para a produção do A3 Sedan queremos comprar vários componentes localmente e, portanto, pretendemos estabelecer relações estreitas com os fornecedores brasileiros, já no estágio inicial." Ele afirmou ainda que a empresa avalia a possibilidade de oferecer uma versão total flex 1.4, movida a gasolina ou etanol, para o Q3.

Nona fábrica
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, acompanhou a audiência no Planalto e disse que o anúncio da Audi representará a instalação da nona fábrica de automóveis no País nos últimos dois anos. Em 2012, o governo federal promoveu um aumento no IPI para carros importados e, em 2013, criou o Inovar-Auto. "Isso mostra que o esforço que fizemos foi bem sucedido e as empresas estão, de fato, vindo", comentou.
Desde então, as alemãs BMW e Mercedes-Benz, a italiana Fiat, as japonesas Nissan, Toyota e Honda, além das chinesas JAC e Chery, anunciaram novas fábricas no Brasil. "O Brasil nunca teve fábricas do segmento de automóveis de primeira linha. E temos três anunciadas, a BMW, a Audi e a Mercedes-Benz. E a Land Rover em vias de (ser anunciada)." (Com agências)

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