Paulo WolfgangEdna: olho pregado na apostilaMaria Edna Nabhan, 33 anos, quer ser funcionária da administração pública federal para ter segurança e melhor qualidade de vida. Divorciada, com dois filhos, é formada em Direito e ex-empresária da moda em Londrina. ‘‘Eu trabalhava em média 12 horas por dia, e foram quase 12 anos; era uma loucura’’. Dois anos atrás ela resolveu dar um basta e especializar-se em concursos públicos. Hoje gasta em torno de R$ 400,00 por mês no curso preparatório e na compra de material de apoio.
No ano passado, em julho, ela enfrentou 85 mil candidatos ao cargo de auditor fiscal do Tesouro Nacional. Salário de R$ 4.500,00. ‘‘Eram 600 vagas, imagina, e não foi nada fácil voltar a estudar’’. Edna diz que agora fica em média 12 horas/dia com os olhos pregados na apostila (quatro horas na escola). ‘‘Isso de segunda a segunda, menos no sábado à noite; é quando levo os filhos para o shopping’’.
Paulo WolfgangSueli: em busca de segurança
Ela fala que o cargo de funcionária da administração pública federal exige do candidato um alto nível em Letras, Direito, Contabilidade. ‘‘A prova, na verdade, testa os conhecimentos e a tranquilidade do candidato’’. Edna já se sente segura e disciplinada para os estudos: ‘‘Não tenho horário fixo, mas só estudo no quarto, e uma matéria de cada vez’’. Para compensar o desgate, diz que come ‘milhões’ de chocolates.
Sueli Morimitsu, 29 anos, é administradora de empresas. Passou quase cinco anos no Japão montando games e voltou há poucos meses. Ela recebia pouco mais de R$ 1 mil - ‘‘o homem ganha o dobro do que ganha a mulher, no Japão’’ - e, desestimulada, desistiu. O marido ficou. ‘‘Eu voltei já pensando em concursos públicos, porque também quero um bom salário, e segurança’’. O fato de ter um filho pequeno e o marido longe, facilita a dedicação aos estudos.
Diferente da Edna, que se viu obrigada a deixar de lado os passeios e até mesmo as festas da família. ‘‘Cortei 90% da minha social, mas tenho todo o apoio, da família e dos amigos’’. Sueli também conta com o apoio de todos para estudar em média oito horas por dia (incluindo as quatro horas do cursinho). ‘‘Eu estudo sempre à tarde. Vou tentar o cargo de fiscal do INSS’’. (B.F.)

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