O primeiro semestre foi positivo para os exportadores brasileiros. O aumento dos preços médios dos produtos comercializados, aliado à valorização do dólar diante do real, resultou em um incremento de 3,2% no Índice de Atratividade (IAT-Agro) das exportações do agronegócio em comparação ao primeiro semestre do ano passado. O cálculo é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O cenário favorável se consolidou mesmo antes das commodities atingirem preços recordes nas bolsas internacionais, feito obtido pela soja e pelo milho no mês de julho.
Segundo o Cepea, o índice agregado de preços de todos os produtos do agronegócio exportados (IPE-Agro) teve aumento de 2,3% no período e o real sofreu desvalorização de 0,8%, de acordo com o índice de câmbio efetivo do agronegócio (IC-Agro). ''Ao vender em dólar e converter o valor em real, o produtor saiu ganhando. Esse efeito da internacionalização dos produtos comercializados foi positivo para a balança comercial brasileira'', explica a pesquisadora do Cepea, Andréia Adami. De janeiro a junho deste ano, o volume exportado cresceu 4,8% na comparação com o primeiro semestre de 2011.
No Paraná, entre janeiro e julho deste ano, a receita obtida com as exportações dos principais produtos do agronegócio totalizou US$ 10,33 bilhões, valor 6,3% superior aos US$ 9,72 bilhões alcançados nos sete primeiros meses de 2011, segundo levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).
Somente as cooperativas paranaenses somaram US$ 975 milhões com as exportações do agronegócio do primeiro semestre de 2012, de acordo com dados da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). A quantia é 5,3% inferior à do mesmo período do ano passado. A redução é reflexo da diminuição de 13% no volume exportado nos seis primeiros meses do ano, que totalizou 1,7 milhão de toneladas, diante dos 1,9 milhão de toneladas embarcadas no primeiro semestre de 2011. ''Em fevereiro e março as exportações de soja cresceram muito para atender à demanda do mercado, mas depois de notar que a oferta do produto não era tão alta em razão da estiagem no Sul do País, a movimentação foi controlada'', lembra o analista técnico e econômico da Ocepar, Gilson Martins.
Martins argumenta que a valorização de 8% na cotação dos produtos do agronegócio contrabalanceou as perdas em volume exportado e equilibrou a redução da receita. Entre janeiro e junho deste ano, a média dos produtos foi de US$ 572 por tonelada, em comparação aos US$ 528 do mesmo período do ano passado. O preço da soja teve acréscimo de 26%, enquanto o milho subiu 19% e o açúcar, 20%. ''O grande volume da segunda safra de milho e os preços internacionais altos devem reverter esse cenário negativo no segundo semestre e a expectativa é de um impulso nas exportações a partir de agosto'', prevê o analista da Ocepar.
Histórico
Entre 2000 e 2011, o saldo da balança comercial do agronegócio brasileiro quintuplicou, chegando a US$ 77,471 bilhões no ano passado. Os preços em dólares recebidos pelos exportadores do agronegócio brasileiro subiram 125,8% entre 2000 e 2012. No mesmo período, o volume exportado pelo agronegócio brasileiro cresceu 160%. Ao longo desses 12 anos, a taxa de câmbio efetiva real do agronegócio teve valorização de 50% e a atratividade das exportações cresceu 5%.

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