Arquivo FolhaPrejuízo duploCom a paralisação do Siscomex, também as exportações vão ter uma perda adicional

RIO - O grande atraso na liberação das importações, provocado pela entrada em funcionamento do Siscomex para os importados, poderá reduzir à metade os gastos do País com importações este mês. Elas poderão ficar em somente cerca de US$ 2,5 bilhões, segundo estimativas de José Augusto de Castro, conselheiro da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e controlador da empresa Procex Técnica Internacional. Com isso, pela primeira vez desde maio, haverá a possibilidade de a balança comercial ter superávit, em torno de US$ 700 milhões.
Será, contudo, um resultado totalmente artificial, já que as importações foram mesmo feitas e assim, quando finalmente forem desembaraçadas nos portos e aeroportos, terão de ser contabilizadas, avisa Castro. E no momento em que os dados forem regularizados, lembra, o déficit da balança voltará mais alto.
De acordo com as projeções de Castro, em dezembro as importações devem ter somado cerca de US$ 5,2 bilhões (até ontem os números oficiais não tinham sido divulgados). As exportações foram de US$ 3,7 bilhões. Isso gerará um déficit de cerca de US$ 1,5 bilhão.
Castro ressalta que, com a paralisação causada pelo Siscomex, também as exportações, que geralmente são menores em janeiro, vão ter uma perda adicional, pois estão retidas em portos e aeroportos muitas matérias-primas usadas para produzir bens que serão vendidos para o exterior. Assim, ele estima que em janeiro as exportações não deverão superar os US$ 3,2 bilhões, portanto, com uma queda quase 14% em relação a dezembro.
O Siscomex foi criado para facilitar o registro e o desembaraço de mercadorias que chegam ao País, mas desde que passou a substitutir o sistema tradicional, em 1º de janeiro, vem causando grandes problemas.

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