Curitiba - As chuvas que assolaram as estradas e o Litoral do Paraná nos últimos dias ainda podem trazer consequências negativas para as exportações do Estado e o escoamento da safra através do Porto de Paranaguá. As interdições nas rodovias levaram algumas empresas a não conseguirem entregar a produção no tempo hábil do contrato, o que implica até pagamento de multa. E esse prejuízo também acaba sendo transferido para o produtor rural que pode ver a remuneração reduzida.
A previsão do setor do agronegócio é que, como os reparos definitivos nas estradas vão demorar ainda cerca de seis meses, os caminhões devem levar mais tempo para chegar ao porto. ''Vamos ter fila de caminhões, mesmo que o tráfego na estrada esteja normal e também de navios'', disse o assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo. Até porque, neste ano, os preços também estão melhores para o produtor rural, especialmente da soja. Por conta disso, cerca de 35% a 40% dos produtores já negociaram a safra que estão colhendo. Ele acredita que ''o cenário já seria conturbado só considerando isso'', porque a produtividade do porto continua a mesma.
Camargo lembrou que a demurrage (tempo de espera) dos navios está, em média, em US$ 30 mil por dia. O valor do frete já teve queda de 10% a 15% com a redução da demanda por conta das chuvas, mas a tendência é que volte a aumentar com a volta ao normal do escoamento da safra.
Por conta deste cenário, a estimativa é que nas exportações da produção deste ano devem ocorrer mais perdas do que em 2010. ''A preocupação ficou maior do que era antes porque agora tem o problema das rodovias, além do porto'', disse o gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra. Segundo ele, a grande dúvida é se os exportadores vão respeitar o sistema de Carga On-Line através do qual só podem desembarcar no porto as cargas com navio nominado.
''O problema é que quando tem chuva não há carregamento de cargas no porto'', lembrou Turra. Ele acredita que a movimentação vai ficar ainda maior em abril quando acontece a concentração da exportação de soja.
Turra apontou que há 20 milhões de toneladas para serem exportadas (14 milhões de soja e 5,6 milhões de milho). O Estado tem uma capacidade de armazenamento de 25 milhões de toneladas. As cooperativas conseguem guardar 15 milhões de toneladas, o porto cerca de 1 milhão e o restante fica com empresas privadas, o governo e cerealistas.
De acordo com Turra, o grande prejuízo até agora foi a retenção de cargas na origem e os motoristas ficarem muito tempo parados nas estradas, o que gera o pagamento de diárias. No entanto, ainda mais grave que os problemas gerados pela chuva, é a estrutura deficitária do porto, a necessidade de modernização de equipamentos e a realização da dragagem do canal de acesso, o Canal da Galheta.

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