Atraso na safra pára mercado de terra
Atraso na safra pára mercado de terra Expectativa do setor era de que a colheita de milho e soja levaria a uma reação nos negócios com propriedades agrícolas Arquivo FolhaFRUSTRAÇÃODemora na comercialização das culturas derruba a esperança dos corretores por uma melhoria no cenário atual Vânia Casado De Curitiba O atraso na comercialização da safra agrícola está prejudicando o mercado de terras agrícolas. A forte estiagem ocorrida no segundo semestre do ano passado frustrou qualquer tentativa de reação no mercado, avalia Euzoni Czelujinski, técnico do departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Na região Norte, a oferta de imóveis rurais continua superior à procura e os poucos negócios fechados, saem por um valor bem abaixo do que está sendo estimado pelo mercado, disse o corretor Marcos Peralta da Imobiliária Paiaguás, de Maringá. Na verdade, o mercado está em baixa há dois anos, com maior volume de ofertas do que vendas de áreas agrícolas. Ocorre que havia a expectativa de uma reação no período da comercialização de milho e soja, culturas mais rentáveis, que está sendo frustrada agora com a demora da colheita. Além do problema climático, permanecem os fatores que provocaram a queda no mercado de terras agrícolas, como a descapitalização dos produtores, liberação de volume de crédito de custeio abaixo do esperado e alto nível de inadimplência. Os produtores que estavam endividados devem continuar com pendências nos bancos porque a estiagem reduziu o volume de produção que será colhido, argumenta Czelunjinsk. O corretor Marcos Peralta não vê sinais de mudança no cenário, nem com a intensificação da comercialização agrícola. Ele diz que os imóveis rurais chegam a ficar meses à venda, sem qualquer procura. Tenho uma fazenda à venda há sete meses e até agora não foi possível fechar negócio, conta. Os poucos interessados em imóveis rurais têm algum interesse muito específico, acrescenta. Para Peralta, já está longe o período em que os produtores investiam os recursos da safra em imóveis rurais. Diante da escassez de compradores, as áreas agrícolas estão sendo ofertadas por um valor 30% abaixo do que seriam vendidas há dois anos. Mesmo assim, o valor ainda é considerado superestimado, disse Peralta. Segundo ele, na região de Nova Esperança (Noroeste), o alqueire de terra está variando entre R$ 7 mil e R$ 7,5 mil, para pagamento à vista. Em Mandaguari, o valor da terra sobe para R$ 12.000,00/alqueire, considerado um preço razoável pelo corretor, considerando a localização e a fertilidade da terra. Mesmo assim não há mercado, e quem compra oferece um valor ainda abaixo ao que está sendo pedido, afirma Peralta. Na região de Guarapuava a situação não é diferente, conta o técnico do Deral Artur Bittencourt. Segundo ele, neste mês a oferta de terras continua bem superior à demanda, sendo a maior parte de pequenas propriedades. A oferta só não é maior porque as culturas ainda estão em desenvolvimento, diz. Além disso, a falta de emprego nas grandes cidades inviabiliza a ida do pequeno agricultor em busca de melhor alternativa de vida, acrescenta. Bittencourt também constatou que o valor solicitado pelos proprietários das médias e grandes propriedades está alto diante da atual realidade do setor agropecuário. Isso prejudica a comercialização, argumenta. Uma característica que mostra a flexibilização do setor imobiliário é a alteração da forma de pagamento, que antes era feita à vista. Agora, as médias e grandes propriedades, cujo valor nas transações imobiliárias é alto, é feito de forma parcelada, com pagamento de 40% à vista, e o restante no prazo de um a três anos, conforme acordo entre as partes. Geralmente o valor a ser pago é transformado em soja. Nas pequenas propriedades, o pagamento continua à vista ou então o comprador paga cerca da metade do valor à vista, e o restante por ocasião da colheita. Na região de Campo Mourão, as transações se limitam aos pecuaristas que estão substituindo as áreas planas antes ocupadas por pastagens, por soja. Com o dinheiro, os pecuaristas estão procurando áreas acidentadas, conseguindo comprar uma área maior de terra com o mesmo capital. Segundo Czelunjinsk, esse comportamento ainda não influenciou no mercado de terras da região porque existe muita oferta de áreas acidentadas.





