Atrair investimentos exige ambiente melhor
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terça-feira, 17 de outubro de 2006
Jamil Chade<br> Correspondente AE 
Genebra - O Brasil precisa criar ''com urgência'' um ambiente melhor de negócios se quiser atrair investimentos estrangeiros e crescer a taxas mais elevadas. A avaliação é do presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz. Em entrevista, o ex-número 2 do Pentágono, criticou o tamanho do déficit público no País e alertou: um clima permeado por escândalos de corrupção também pode afugentar investidores.
''Em minha opinião, no curto e médio prazos, o que o Brasil e seus governantes precisam fazer com urgência é criar um ambiente melhor para os negócios no País, por exemplo, com leis mais propícias que facilitem ao setor privado operar'', afirmou Wolfowitz. Na segunda-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou relatório anual no qual mostra que o fluxo de investimentos no mundo cresceu 29% em 2005 e no Brasil caiu 17% (veja quadro). O texto alerta que a tendência negativa deve continuar em 2006.
Déficit - Para Wolfowitz, porém, outro desafio imediato do Brasil é lidar com seu déficit público. Segundo ele, a solução não pode ser maiores taxas sobre as empresas. ''Resolver esse problema não será fácil. Mas acredito que tenha uma relação direta com o tamanho da burocracia estatal'', afirmou.
O americano apresentou suas sugestões para que o Brasil retome seu crescimento no longo prazo. ''A questão central será lidar com as desigualdades'', afirmou. ''Quando uma criança brasileira não tem boa saúde ou educação, o País é quem paga o preço disso por toda sua vida. Se essa criança tiver acesso à saúde e educação, porém, o Brasil terá uma mão-de-obra produtiva, o que fará com que o Brasil cresça de forma bem mais rápida no futuro'', afirmou.
Defensor de um luta contra a corrupção como forma de garantir que o dinheiro enviado aos países pobres seja utilizado para o desenvolvimento, Wolfowitz preferiu não entrar em detalhes sobre os escândalos de corrupção envolvendo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas não deixou de alertar que se trata de um ''problema estratégico''.
''Os países quem têm práticas claras e honestas incentivam investimentos estrangeiros. Se investidores não têm certeza de que as leis serão seguidas de forma justa, tendem simplesmente a levar o seu dinheiro para algum lugar mais seguro'', afirmou.
Ontem, em Genebra, Wolfowitz discursou para deputados de todo o mundo na União Parlamental Internacional e alertou que a corrupção ameaça o esforço de combate à pobreza. ''Cada dólar desviado pela corrupção é um dólar que não vai para a criação de emprego, de saúde e de outros serviços essenciais aos pobres'', afirmou.
Para o americano, não há como destinar recursos internacionais para ajudar no combate à pobreza se governos não forem transparentes. ''A corrupção é uma doença que viaja no escuro. Transparência e participação são os antídotos mais fortes contra a corrupção. Promovê-las também é combater a pobreza em um país'', afirmou Wolfowitz, que acredita ainda que o Poder Legislativo pode ser central no papel de fiscalizar governos.


