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Londrina

Economia 5m de leitura Atualizado em 20/11/2021, 12:47

Ato pela igualdade racial marca Dia da Consciência Negra em Londrina

PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de novembro de 2021

Simoni Saris - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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Imagem ilustrativa da imagem Ato pela igualdade racial marca Dia da Consciência Negra em Londrina
 

A luta racial no Brasil começou nas senzalas e quase cinco séculos depois, atos contra o racismo ainda se fazem necessários. O preconceito, a desvalorização da cultura negra e a violência brotam da discriminação e a luta contra a desigualdade racial no Brasil é diária. Neste dia 20 de novembro, data em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, uma mobilização aconteceu no Calçadão de Londrina para conscientizar toda a sociedade sobre a importância da promoção de políticas públicas de igualdade e equidade racial. O ato organizado pelo Comitê Unificado de Londrina, que reúne coletivos, pastorais e sindicatos, reuniu cerca de 300 pessoas. 

Membro da coordenação estadual do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), José Damasceno lembrou que a luta do trabalhador do campo se funde à luta do movimento negro em sua origem, uma vez que a escravidão teve início nas propriedades rurais e no momento em que o imperador do Brasil D. Pedro II, em 1850, instituiu a Lei da Terra, que estabelecia a compra como único meio de acesso à terra. “Neste momento, os negros, automaticamente, foram excluídos porque eram escravos e não tinham capital. A terra ficou nas mãos dos brancos, dos mesmos donos de engenho. Por isso, tem tudo a ver a luta do MST com a luta da resistência negra.” 

Atualmente, 55% da população brasileira é formada por negros e pardos e apesar, mas os projetos de governo ainda estão longe de contemplar essa maioria, que não conta com as mesmas oportunidades oferecidas à população branca, criticou o representante do Sindicato dos Bancários de Londrina, Laurito Lira. “O projeto que o capitalismo tem é de manter a estrutura de exploração e inviabilizar os problemas que ele causa. No Brasil, nós temos um grande problema com a questão do capital que foi a escravidão e que continua e trouxe consequências para o povo negro que foi o abandono provocado pela Lei Áurea. Essa é a população pobre que está nas favelas, que passa fome e não tem emprego”, destacou.  

Os manifestantes também criticaram a aprovação pela Câmara Municipal de Londrina da indicação para o prefeito Marcelo Belinati encaminhar pelo Executivo o projeto de Lei Antivadiagem. Na prática, a proposta do vereador Claudinei dos Santos, o Santão (PSC), é que a prefeitura seja impedida de prestar auxílio à população em situação de vulnerabilidade que não esteja em acolhimento institucional.  Nos últimos dias, a iniciativa ganhou repercussão nacional. “A população mais desfavorecida vai ser punida, vai ser escondida”, apontou Lira.  

Na manifestação, além do pronunciamento das lideranças, também houve espaço para manifestações culturais, como apresentação de grupo de capoeira e a leitura de trechos do poema Navio Negreiro, de Castro Alves, que fala sobre o tráfico de escravos africanos.   

A Arquidiocese de Londrina, que recentemente tem sido alvo de críticas por adotar um discurso alinhado ao que prega o papa Francisco, de apoio e acolhimento às minorias e aos excluídos, esteve no ato representada pelo padre Dirceu Fumagalli, que falou sobre “dívida histórica” da Igreja Católica com o povo negro. “O momento histórico hoje, tanto nacional quanto internacionalmente, é um movimento de ‘endireitamento’ e esse movimento não é simplesmente mudar de posição. Essa mudança tem os seus efeitos colaterais, que passa esmagando novamente sobre os pobres, sobre os pequenos, sobre os excluídos. A Igreja, tem que reconhecer, levou séculos para afirmar que negro tem alma. Isso não é tão simples, está impregnado, inclusive, nas nossas estruturas. As estruturas do Estado, da Igreja são racistas. São pouquíssimos os negros que ocupam espaços de poder e deliberação na própria instituição”, ressaltou Fumagalli.  

Os manifestantes permaneceram por pouco mais de uma hora no Calçadão e, em seguida, saíram em passeata gritando palavras de ordem contra o presidente Jair Bolsonaro. O movimento terminou na Concha Acústica, onde também acontece, até as 19 horas, a segunda edição da Feira Afrocriativos de Londrina, que integra a programação das ações de conscientização sobre a garantia e defesa dos direitos das mulheres, promovida pela Prefeitura de Londrina entre os dias 20 de novembro e 10 de dezembro.  

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