Atlas não encontra mão-de-obra local
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segunda-feira, 20 de julho de 1998
Cláudia Lopes 
A Elevadores Atlas S/A está recrutando pessoas em Campinas (SP) para trabalhar na fábrica de Londrina. A empresa publicou um anúncio anteontem em um jornal paulista requisitando profissionais interessados em ocupar 26 funções diferentes. Há dois meses, ao anunciar a transferência da fábrica de elevadores e escadas rolantes para Londrina, o diretor financeiro e de relações com o mercado da Atlas, José Ricardo Mendes da Silva, garantiu que a maioria dos trabalhadores da nova unidade seria contratada na cidade e que alguns viriam da unidade de São Paulo.
Silva disse ontem à Folha que a empresa teve que abrir a contratação em Campinas por não ter encontrado mão-de-obra especializada em Londrina. Não existe em Londrina profissionais aptos para operar algumas máquinas, que são muito complexas, afirmou. Mas isto não quer dizer que as contratações na cidade terminaram. Devemos admitir pelo menos outros 100 londrinenses, calcula.
Segundo o diretor, 40 trabalhadores devem ser contratados em Campinas. Estes profissionais especializados receberão os salários mais altos, de até R$ 900. Quem tem pouca capacitação deve receber salários de cerca de R$ 300. A fábrica deve abrir cerca 450 empregos diretos. Somando os 69 já contratados com os 100 mencionados ontem por Silva, isso totaliza 169 londrinenses empregados pela empresa. Ou seja, a maioria virá de fora.
Os 69 trabalhadores contratados no mês passado e que frequentaram cursos no Senai de Londrina estão sendo treinados pela empresa. Eles estão produzindo componentes com a mesma qualidade da fábrica de São Paulo num tempo menor. Estamos satisfeitos com o desempenho dos londrinenses, diz Silva. Outras 600 pessoas, que estão sendo preparadas pelo Senai e Cefet, têm esperança em ocupar uma vaga na Atlas. A fábrica deve entrar em operação em setembro deste ano.
Um dos candidatos que prencheu ficha em Campinas para, e que prefere não se identificar, disse ontem à Folha que não ficou entusiasmado porque a empresa não vai arcar com nenhum tipo de despesa e nem dará ajuda de custo para sua transferência a Londrina. Não dá para alugar uma casa por causa do período de experiência. Os gastos com hotel e comida devem ficar caros. Ontem, 112 interessados preencheram fichas em Campinas. A seleção termina amanhã.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina, Sebastião Raimundo Silva, diz ter ficado surpreso com as contratações em Campinas. Mas já sabia que não teríamos mão-de-obra qualificada em Londrina. A prefeitura e o governo do Estado deveriam ter se preocupado em promover cursos de capacitação adequados na cidade. Não adianta atrair empresas se não tivermos profissionais preparados.
Silva conta que, no setor de metalurgia, quem não está empregado foi embora para grandes centros como São Paulo. Um dos problemas é que a Atlas não quer pagar um bom salário por este funcionário especializado. Se pagasse, nós iríamos viabilizar estes metalúrgicos, reclama. Por ter recebido benefícios do programa Paraná Mais Empregos do governo do Estado e o terreno da prefeitura de Londrina, o sindicalista acredita que a Atlas deveria capacitar a mão-de-obra na cidade.


