Ativistas protestam contra repressão
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segunda-feira, 23 de julho de 2001
France PresseDe Roma 
Várias centenas de pessoas, em sua maioria militantes de esquerda, se manifestavam ontem à tarde em frente ao parlamento italiano, cercadas por um forte dispositivo policial, no momento em que se realizava um debate sobre as violências durante a cúpula do G8 em Gênova (noroeste da Itália)
Ao grito de Fascistas, fascistas, 500 manifestantes dos sindicatos de base (COBAS) e do partido da Refundação Comunista, por exemplo, pediam a renúncia imediata do ministro italiano do Interior, Claudio Scajola, e do chefe de polícia, Gianni De Gennaro, constatou um jornalista da agência France Presse no local.
Todos os acessos que levam ao Parlamento e à presidência do Conselho, próximos ao local da manifestação, foram bloqueados por mais de cem policiais com equipamentos antidistúrbios, constatou a mesma fonte. Vinte caminhonetes e veículos da polícia também estabeleceram posição entre a praça Montecitorio, onde fica a Assembléia Nacional, e a praça Colonna, onde fica a presidência do Conselho, em pleno centro histórico de Roma.
O excesso de repressão da polícia durante as manifestações que ocorreram nos dias 20 e 21 de julho, em plena cúpula do G8, provocou polêmica na Itália. Depois da morte de um jovem manifestante, assassinado por um tiro de um carabineiro, a polêmica aumentou quando a polícia entrou de forma violenta na madrugada de sábado para domingo no centro de imprensa do Genoa Social Forum (GSF), que coordena a luta contra a globalização e é o interlocutor reconhecido pelo governo. Alguns jornalistas apresentaram denúncias à Promotoria local pelos maus-tratos recebidos por parte da polícia durante a blitz. Um jornalista do Resto del Carlino, o jornal mais antigo de Bolonha, Lorenzo Guadagnucci, foi agredido e posto sob custódia policial em um hospital com um braço quebrado.
O alemão Daniel Albrecht Tomas, de 23 anos, foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um coágulo cerebral. Ele foi ferido no sábado durante um confronto com a polícia na sede do Fórum Social de Gênova. O ministro britânico para a Europa, Peter Hain, acusou a polícia italiana de ter reagido de modo excessivo diante das manifestações contra a cúpula do G-8. Hain declarou que é impossível defender a atitude das forças de segurança diante da morte de um manifestante e de tantos feridos.
Operação limpeza O governo italiano prometeu ontem à prefeitura de Gênova uma verba extra para a limpeza da cidade depois da cúpula do G-8. Ao mesmo tempo, a polícia local anunciou a detenção de mais 30 pessoas que supostamente teriam tomado parte na violência.
Os conflitos em Gênova causaram danos a vários bairros da região central, além de deixar parte da cidade imunda. O governo italiano anunciou ontem que liberará uma verba de 15 bilhões de liras (cerca de US$ 6,7 milhões) para ajudar na limpeza de vias e prédio.
Os 30 suspeitos foram detidos em várias blitze realizadas ontem em Gênova. Eles são italianos, alemães, austríacos, canadenses e lituanos. Todos foram descritos pela polícia como membros de grupos anarquistas violentos que durante os três dias de cúpula quebraram janelas, lançaram pedras e bombas caseiras contra policiais e prédios e incendiaram carros.
Durante as blitze de ontem, a polícia encontrou barras de ferro, facas e materiais para a confecção de bombas. O comportamento da polícia durante a cúpula do G-8 em Gênova sofre muitas críticas na Itália. Ontem, o ministro do Interior, Claudio Scajola, que é responsável pela polícia nacional, era aguardado no Parlamento para um discurso sobre o assunto.


