Brasília - Cerca de 60 ativistas do Greenpeace, fantasiados de milho transgênico, fizeram ontem um alerta contra a liberação desse tipo de alimento. Desta vez, os ativistas tomaram café da manhã e seguiram os membros da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) até a sede da entidade. A CNTBio é responsável pela avaliação da segurança dos alimentos transgênicos antes de serem aprovados para plantio e consumo.
Os 27 cientistas que compõem a CTNBio estão reunidos ontem e hoje para decidir se liberam duas modalidades de milho transgênico fabricadas pela multinacional Monsanto. Uma espécie é o milho Guardian BT, também chamado de milho inseticida. A outra espécie é um milho tolerante ao herbicida glifosato. Ambas as sementes têm substâncias utilizadas para matar as pragas das lavouras.
A organização não-governamental (ONG) Greenpeace é contra a liberação de qualquer tipo de milho transgênico. De acordo com a coordenadora da Campanha de Transgênicos do Greenpeace, Gabriela Vuolo, o milho transgênico tem um alto potencial de contaminação genética, por ter um pólen muito leve. Segundo Gabriela, isso significa que uma plantação transgênica pode contaminar uma plantação tradicional que esteja a quilômetros de distância, acarretando prejuízo aos agricultores orgânicos, por exemplo.
''A gente tem um caso na Espanha que é muito simbólico, de agricultores orgânicos que foram contaminados por uma plantação de milho transgênico, perderam todos os seus benefícios financeiros. Eles tinham um certificado de orgânico, vendiam seu produto e perderam todos os benefícios, tiveram um prejuízo financeiro enorme'', disse ela.
Sobre os possíveis riscos para a saúde da população, a ativista afirmou que ainda não existe consenso nas comunidades científicas quanto à segurança dos alimentos transgênicos, apenas indícios de que eles podem ser cancerígenos e alergênicos. ''Não existe um consenso. Então, o que o Greenpeace prega é o princípio da precaução. Enquanto não houver certeza, a gente não deve liberar, porque depois, daqui a dez anos, quando a gente descobrir que faz mal, talvez seja tarde demais'', ressaltou.
No total, a CTNBio tem 27 membros distribuídos em quatro subcomissões: Saúde Humana, Saúde Animal, Área Vegetal e Área Ambiental. Para aprovar processos de comercialização de variedades transgênicas, são necessários 18 votos.

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