Atividade será menor no 1º trimestre, prevê Ipea
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sábado, 28 de novembro de 1998
Agência Estado 
A atividade econômica brasileira vai encolher 1,5% no primeiro trimestre de 1999, de acordo com a primeira previsão para o ano que vem divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento. O Ipea também refez sua estimativa para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado de 1998. A perspectiva de crescimento de 0,7% na economia agora baixou para 0,6%, resultado que será puxado basicamente pelo setor de serviços, que tem perspectiva de crescimento de 0,9%.
Os resultados mostram uma perda de dinamismo da economia no último trimestre deste ano e, com maior intensidade, nos três primeiros meses de 1999, que devem apresentar retração de 0,9% em relação ao período anterior. A situação só será revertida, segundo análise da Carta Conjuntural do Ipea divulgada ontem, se o ajuste fiscal promovido pelo governo for bem sucedido, permitindo uma redução rápida e significativa das taxas de juros.
Sem isso, será difícil superar a retração do consumo motivada pela alta inadimplência e pelo temor do desemprego, diz o documento elaborado pelos técnicos do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Ipea.
A previsão para a produção industrial este ano é de queda menos intensa do que se esperava, embora ainda aponte para uma redução signficativa, de 1,5%. A estimativa divulgada no mês passado indicava um ritmo de queda mais acelerado, na faixa de 1,9%. A exeção no setor é a produção de bens de capital, o único a registrar crescimento (2,9% até setembro, na comparação com o mesmo período do ano passado) e que devem apresentar estabilidade.
A retração para as demais categorias seria de -1% para os bens intermerdiários; -1,5% para os bens de consumo não-duráveis, e - 17,5% para os duráveis.
Em relação ao comércio, tomando por base os dados da Federão do Comério de São Paulo, que indicam elevação de 1% este mês, em outubro, em relação a setembro, e uma redução de 3,5% em relação a outubro de 97.
Essa expansão do consumo é consequência da forte retração verificada em setembro (-6,6%), reflexo imediato da alta de juros e pessimismo em relação à manutenção do emprego, e da expansão do faturamento dos bens de consumo não-duráveis, diz a Carta Conjuntura.
O comércio é o único setor com expectativas otimistas para o Natal, com previsão de faturamento igual ou pouco superior ao do ano passado. É por causa do aquecimento do comércio e do setor de serviços que se espera alguma queda na taxa de desemprego nos próximos dois meses, como ocorre todos os anos.


