Após anos se destacando como importador de pescados, o Brasil começa a despontar com um grande potencial para ser exportador. Até 1996, o Brasil importava US$ 450 milhões em pescados e no ano passado zerou esse déficit e até registrou um pequeno superávit de US$ 20 milhões. Essa reversão indica que o País está apto a entrar num ciclo produtivo que pode render divisas e desenvolvimento ao País, disse o biólogo José Roberto Borghetti.
Para alavancar investimentos a este setor, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) alocou R$ 2,3 bilhões para financiamentos nos próximos 3,5 anos. A linha de crédito vai atender desde as pequenas associações de produtores até investimentos empresariais que apresentarem projetos para exploração da pesca oceânica, setor de grande potencial ainda inexplorado no País, segundo Borghetti.
O setor de Aquicultura (cultivo de pescados) no Brasil ficou estagnado por 17 anos produzindo entre 35 mil e 40 mil toneladas. A partir de 1996, por iniciativa do Ministério da Agricultura. que passou a encarar a aquicultura como um setor produtivo a ser explorado, varias ações começaram a ser executadas no âmbito da pasta federal.
Borghetti atribui essa iniciativa ao empenho do ex-ministro da Agricultura José Eduardo de Andrade Vieira, que desde o início demonstrou visão estratégica de futuro e apostou no setor de aquicultura e pesca como um instrumento para o crescimento econômico do Pais. ''O ministro José Eduardo não se conformava com o fato de o Brasil não explorar de forma produtiva o potencial de pesca, mesmo tendo a maior extensão de mar e a maior diversidade de espécies de peixes do mundo'', afirma. Borghetti foi escolhido pelo então ministro José Eduardo para estruturar e gerenciar o programa nacional de aquicultura.
Menos de cinco anos após o início das ações para estimular a aquicultura os resultados são visíveis, destaca Borghetti. A produção avançou para 210 mil toneladas até 2001, gerando renda da ordem de US$ 830 milhões. Com isso, o País deixou de ser importador de pescados e agora pensa na expansão da atividade, com objetivo para se tornar um grande exportador, ressalta.
Um dos grandes potenciais a ser explorado está na produção de camarões marinhos. Segundo Borghetti, até 1996 o Brasil tinha a produção incipiente de 2.800 toneladas e avançou para 65 mil toneladas em 2002. Para este ano, a previsão é produzir 95 mil toneladas. A expansão ocorreu principalmente no Nordeste, em decorrência do estímulo do Ministério da Agricultura com investimentos na região.
Borghetti relata que, sob a orientação do ex-ministro José Eduardo, toda a cadeia produtiva envolvendo a iniciativa privada e as entidades públicas que trabalham com o setor foi organizada. ''Antes era difícil o diálogo entre as organizações públicas e a iniciativa privada, situação que não acontece atualmente'', destaca. Foram estabelecidas as políticas públicas para o desenvolvimento da aquicultura, de onde surgiu a estrutura para a criação da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca, que hoje tem status de ministério.
Borghetti lembra que essa era uma das aspirações do ex-ministro José Eduardo, mas que não pode levar adiante porque não havia vontade política na época. Nem por isso deixou de formar uma estrutura favorável que resultou na criação da secretaria atualmente.
O que falta agora é um choque de tecnologia para elevar o valor agregado da produção. Quando isso ocorrer o País dará um salto nas exportações, devendo atrair recursos que vão irrigar o setor produtivo. Borghetti alerta que os pescadores precisam ser bem remunerados para elevar a qualidade da produção.

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