Atividade precisa de apoio oficial
Apesar de a agricultura orgânica estar em expansão no Estado, o presidente da Associação de Agricultura Orgânica do Paraná (Aopa), José Antônio da Silva Marfil, reclama da falta de incentivo em todas as esferas governamentais. A inexistência de linhas de crédito específicas para a agroecologia é a principal queixa dos produtores.
Mas os problemas passam ainda pela falta de assistência técnica e de mais canais alternativos de comercialização. ''A produção não é o problema. O problema é que às vezes o agricultor não tem recursos e nem assistência para produzir mais.''
A Aopa, informou Marfil, vai lutar para que o novo governo estadual estabeleça uma política de incentivo à produção orgânica. A principal proposta é que haja diferenciação na cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). ''O agricultor orgânico, que contribui com a preservação do meio ambiente e emprega mais, paga as mesmas taxas tributárias que um outro que usa veneno'', ponderou.
Marfil argumenta que a redução da carga tributária para o agricultor agroecológico não vai comprometer a arrecadação do Estado, porque, por outro lado, o governo irá diminuir custos com conservação ambiental e com a saúde da população. ''A esperança é que o governo cumpra o que prometeu e invista na agricultura familiar, abrindo novas linhas de crédito e oferecendo melhores subsídios aos produtores'', complementou.
De acordo com o coordenador estadual de agricultura orgânica na Emater Paraná, Iniberto Hamerschmidt, o governo disponibilizou na última safra pouco mais de R$ 1 milhão para os produtores orgânicos, por meio do Programa Paraná 12 Meses, fora os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O valor é insignificante perto do montante bruto gerado pelo segmento R$ 50 milhões/safra. Para atender a produção orgânica no Estado, Hamerschmidt calcula que seriam necessários no mínimo R$ 25 milhões, entre linhas de crédito e programas de incentivo.
A produção orgânica de hortaliças e cereais é o forte das 215 famílias representadas pela Aopa. Esses produtores estão concentrados na Grande Curitiba e em parte da região Centro-Sul (Palmeira, Ponta Grossa e Lapa). De acordo com Marfil, a produção na última safra não chegou a apresentar um crescimento expressivo, mas no ano passado foi possível aumentar o volume de vendas com a abertura de novos canais de comercialização. Ele citou, como exemplo, o grupo de 12 agricultores de Palmeira, cuja produção é destinada à merenda das escolas do município.
Marfil concorda que o setor tem mostrado bom desempenho nos últimos anos. Diante do grande número de agricultores familiares que estão se convertendo para o plantio sem uso de agrotóxicos, a tendência é que cresça cada vez mais. Não há um levantamento oficial, mas ele garante que atualmente a procura pelos produtos orgânicos supera a oferta e, por isso, há ainda muito espaço para crescer.





