São Paulo - A atividade do comércio ficou praticamente estável em março, na comparação com o mês anterior, segundo pesquisa da Boa Vista Serviços, empresa que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). O movimento no comércio brasileiro teve variação positiva de 0,1% no mês passado, em relação ao mês anterior. O ligeiro aumento ocorre após uma queda de 0,7% ocorrida em fevereiro, em comparação com janeiro. No primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, o comércio registrou alta de 3,1%.
De acordo com a Boa Vista, a tendência atual é de crescimento, mas em ritmo menor. Após a expansão de 7,3% no ano passado, o setor deve se acomodar em um patamar elevado.
"O comércio deve diminuir seu impacto no crescimento da economia brasileira", diz Flávio Calife, economista da Boa Vista Serviços. Ele prevê uma expansão em torno de 5% para o setor neste ano. Entre os ramos de atividade, o pior desempenho ocorreu em móveis e eletrodomésticos, com queda de 0,8% em março, ante o mês anterior.
O setor de combustíveis e lubrificantes teve o maior crescimento, com 0,5%, seguido de tecidos, vestuário e calçados (0,4%) e outros artigos de varejo (0,1%).

Inadimplência
No lado dos consumidores, a inadimplência deve continuar em tendência de estabilização nos próximos meses, de acordo com a Boa Vista. No primeiro trimestre, o número de inadimplentes caiu 5,6% na comparação com igual período do ano passado, segundo dados da empresa.
No ano passado, a inadimplência atingiu níveis recordes, impulsionada pela forte expansão do endividamento. Neste ano, os juros mais baixos cobrados nos empréstimos e a maior cautela por parte dos consumidores estão proporcionando uma redução nos atrasos de pagamentos. Mesmo com o aumento da taxa básica de juros, a Selic, a inadimplência não deve voltar aos níveis anteriores, afirma Calife.
O Banco Central subiu ontem a Selic de 7,25% para 7,50% ao ano, a primeira alta desde julho de 2011. A medida visa conter a inflação, já que, em geral, juros mais altos desestimulam o consumo, o que reduz as pressões de alta nos preços.

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