A produção industrial do País registrou em setembro queda de 1,9% ante o mesmo mês do ano passado, na maior redução desde julho de 1999. O chefe do Departamento de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, sublinhou que a continuidade do processo de desaceleração da produção, iniciado em março, foi confirmada por todos os indicadores da pesquisa de setembro. Ele salientou, entretanto, que, ao contrário do que se esperava, os dados divulgados ontem demonstram que a indústria manteve, mas não acentuou o ritmo de queda após o racionamento, como se esperava.
Sales observou também que as taxas da produção do segundo semestre do ano passado foram elevadas e, portanto, os cálculos dos índices deste ano comparativamente a 2000 sofrem esse ''efeito estatístico''. Isso significa que na contabilidade do desempenho de determinado mês deste ano, comparativamente a mesmo mês do ano anterior, a tendência é de que o número atual seja menor porque no ano passado as taxas estavam muito altas.
Mas vários outros fatores confirmaram o desempenho negativo. Além das reduções em relação a setembro do ano passado (-1,9%) e a agosto deste ano (-0,3%), os dados trimestrais foram especialmente reveladores da tendência de queda. Após oito meses consecutivos de desempenhos positivos, a produção industrial apresentou duas quedas seguidas no segundo trimestre (-3,5%) e no terceiro trimestre (-1,8%) deste ano, na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Outro fator que confirma a desaceleração é o crescimento acumulado de janeiro a setembro (3,1%), inferior ao acumulado até agosto (3,8%).
Sales disse que há um ''cenário de desaceleração'' resultante da mudança conjuntural da economia desde o final de março, com fatores como crise argentina, alta dos juros, racionamento energético e até os atentados terroristas nos Estados Unidos.
No que diz respeito às principais influências de grupos industriais sobre a produção brasileira, o destaque de impacto positivo ficou com os produtos alimentícios e bens de capital para energia elétrica e agricultura, enquanto as pressões negativas continuaram sendo exercidas pelo segmento de duráveis, especialmente eletrodomésticos e automóveis.
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a indústria alimentícia registrou elevação de 6,9% da produção em setembro. No caso dos bens de capital, houve crescimento nas máquinas e equipamentos para energia elétrica (54,5%) e agricultura (13,7%). A queda na produção dos bens duráveis,de 10,3%, foi resultado especialmente das reduções registradas em eletrodomésticos (-26,5%), automóveis (-9,1%) e mobiliário (-6,3%).

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